Novo volta a pedir impeachment de Toffoli após indícios de proximidade em celular de Vorcaro
Partido afirma que nova informação envolvendo o ministro evidencia "crise moral" no Supremo


Victor Schneider
O Partido Novo protocolou nesta quinta-feira (12) mais um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal (PF) encontrar no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indícios de proximidade com o ministro. Toffoli é relator do caso que investiga uma possível fraude no Master, liquidado em novembro do ano passado.
O partido também entrou com um pedido de manifestação na Procuradoria-Geral da República (PGR). Em coletiva no Salão Azul do Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse que o episódio expõe a “mãe de todas as crises” no país, que definiu como a “crise moral".
“O maior escândalo do sistema financeiro do Brasil, que é o caso Master, ficou aflorado para todo mundo ver onde nós chegamos. E o Senado não tem mais como ficar calado diante do que está acontecendo. O Senado precisa agir, porque nós somos corresponsáveis por isso, por essas mazelas que têm acontecido de abuso de poder no Brasil", afirmou Girão.
O senador ironizou a conduta dos senadores diante do tema, dizendo que a Casa Alta “entrou de Carnaval desde semana passada". Ele também criticou a PGR por não agir diante dos indícios de suspeição de Toffoli e avaliou que há no país um “caos jurídico” desde a abertura do chamado inquérito das fake news, que investiga ataques contra ministros do Supremo.
“Desde 2019, quando o ministro Toffoli abriu de ofício o inquérito das fake news – que está aberto até hoje e mês que vem completa 7 anos, e depois passou para o ministro Alexandre de Moraes, dois personagens que nós vamos tratar agora – o Brasil vive uma crise institucional, um caos jurídico que jogou o país em uma insegurança que todos perdem", criticou.
A coletiva também contou com a presença do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Ambos cobraram o levantamento do sigilo das investigações no Supremo e destacaram a urgência de um Código de Ética para os ministros, como quer o presidente da Corte, Edson Fachin.
"Nós tínhamos razão, com certeza, em botar freio nos ministros da Suprema Corte. São humanos e, como humanos, erram. Não são semideuses", disse Damares.
O pedido de impeachment de Toffoli tem o apoio dos deputados Cabo Gilberto (PL-PB), líder da Oposição, e Gustavo Gayer (PL-GO), líder da Minoria, além do senador Rogério Marinho (PL-RN), segundo van Hattem.
O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) também protocou pedido de impeachment contra o ministro junto ao Senado Federal. O deputado disse, nas redes sociais, que o pedido busca preservar a credibilidade das instituições. “Chega, é momento de impeachment de Toffoli. Não tem outra saída. O Brasil precisa de moralidade e não aguenta mais tanta vergonha”, afirmou.
O pedido seguirá os trâmites previstos no Senado, órgão responsável pela análise de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
Entenda
Um relatório da PF enviado à Presidência do STF após a perícia do celular de Daniel Vorcaro destacou a relação de proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli. Embora não tenha competência legal para isso, a PF pediu a suspeição de Toffoli da relatoria.
Com base no documento, Fachin abriu um procedimento interno para avaliar se Toffoli deve ser considerado suspeito de conduzir o inquérito.
O próximo passo será avaliar o teor das conversas e citações de Toffoli no aparelho. Há preocupação no STF sobre esse conteúdo, como mostrou o SBT News. Se confirmada amizade próxima do ministro com o banqueiro, há mais chance para Toffoli ser retirado da relatoria. Além disso, ele passaria a ser cobrado por não ter tomado a decisão de se afastar por conta própria.
Além disso, a PF também encontrou no celular menções a supostos pagamentos feitos a Toffoli referentes à venda do resort Tayayá. A empresa registrada no nome dos irmãos de Toffoli possuía, até 2025, pouco mais de 30% do controle do resort Tayayá, no Paraná. O fundo Arleen, da Reag Investimentos – ligado ao Master –, investiu R$ 20 milhões no resort em que os familiares de Toffoli eram sócios.
Toffoli nega irregularidades
O ministro emitiu duas notas desde as revelações: uma para negar que deixará o caso e outra para admitir ser sócio da empresa Maridt Participações, que vendeu sua fatia no Tayayá ao Arleen.
Porém, o magistrado frisou que a Lei Orgânica da Magistratura permite que ele integre o quadro societário de empresas e receba dividendos, desde que não pratique atos de gestão como administrador, e que tudo foi declarado à Receita Federal.









