Política

Master: BRB tem rombo de R$ 8,8 bi e 20 envolvidos em fraude

Presidente do Banco de Brasília deu detalhes sobre as finanças da instituição em comissão do Senado

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Felipe Moraes, Valentina Moreira
09/06/2026, 18:51 • Atualizado em 09/06/2026, 18:54
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Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB | Divulgação/Andressa Anholete/Agência Senado

Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB | Divulgação/Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9), em depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que a instituição é "a maior vítima" e a "empresa mais fraudada" no escândalo do Master. Apesar de ter evitado utilizar o termo "rombo", ele estimou que as perdas da instituição com o banco de Daniel Vorcaro chegam a R$ 8,8 bilhões. Segundo Souza, o BRB identificou mais de 20 funcionários suspeitos de envolvimento nas fraudes do Master e processos administrativos foram abertos contra todas elas.

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Ele reiterou a senadores que a entrega do balanço financeiro de 2025 está prevista para 30 de junho, mas que a divulgação ainda depende da conclusão "de procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória". "Estejam certos, a quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB, tendo em vista que a corrida de liquidez cada vez se acentua", acrescentou.

O presidente do BRB disse que o total de transações com o Master soma R$ 30,6 bilhões em depósitos judiciais, sendo que R$ 21,9 bilhões "ficaram no BRB". Desses quase R$ 22 bilhões, R$ 12,2 bilhões "foram objeto da operação Compliance Zero", força-tarefa da Polícia Federal (PF) que investiga as fraudes do Master.

Souza contou que, "de imediato", a nova direção do banco brasiliense identificou R$ 2,6 bilhões da carteira da Tirreno, uma das empresas envolvidas no caso, "que não existem, não têm lastro, não têm nada". Foi a partir da avaliação desses valores que acionistas do BRB aprovaram, em abril, aumento de até R$ 8,8 bilhões no capital social da instituição.

"O BRB tem condições estruturais de permanecer de pé", disse. "Nossa chegada foi exatamente para que não aconteça a liquidação. Hoje ele é mais saudável do que era antes de 18 de novembro de 2025. Não está sendo fácil a recuperação do BRB. O que foi feito com o BRB foi muito cruel", completou, citando a data da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central (BC) e da primeira fase da Compliance Zero. Dois meses antes, em setembro do ano passado, o BC havia negado a compra do Master pelo BRB.

De acordo com Souza, o valor do socorro de R$ 8,8 bilhões será fatiado entre um empréstimo ao governo do DF, principal controlador do BRB, de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo de seguro mantido por aportes de bancos privados e públicos, e R$ 2,2 bilhões oriundos da securitização da dívida do GDF.

"Quando solicitamos aporte de R$ 8,8 bilhões, nós fomos verificar em cima dos R$ 21,9 bilhões, que é o que temos de ativos dentro de casa, o quanto teríamos de fazer de perdas, não só os R$ 2,6 bi da Tirreno. Na análise que fizemos, chega a R$ 8,8 bi, que é o que pedimos de aporte de capital", esclareceu Souza, sobre o rombo do BRB nas operações com o Master. Na estimativa dele, o aporte de R$ 8,8 bilhões poderá fazer o BRB ter lucro de R$ 1 bilhão a partir de 2028.

O presidente do banco brasiliense ainda disse que os relatórios da auditoria independente seguem sob sigilo e que a instituição não está autorizada judicialmente a enviar os "achados" da investigação nem mesmo para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

Souza saiu em defesa do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar a operação de crédito de socorro ao banco.

"É inédita no país. Nunca houve, ainda mais com a chancela do poder máximo do Judiciário. Estava à mesa uma demonstração republicana. Quem está falando aqui é um técnico, não tenho pretensão política. Já passei pela presidência de quatro grandes bancos. Todos sentaram, homologaram e assinaram. Engenharia financeira jamais vista nesse país", comentou, declarando que ele era o "único com o pires na mão" no fechamento do acordo.

Souza também falou que, assim que assumiu a presidência do BRB, em 27 de novembro de 2025, o banco estava isolado no mercado financeiro. "Sabe quantos bancos operavam com o BRB quando chegamos lá, em operações compromissadas? Nenhum fora o Master. Estava ilhado", disse. O antecessor dele na instituição, Paulo Henrique Costa, segue preso por suspeita de receber propina de Vorcaro para facilitar a compra de carteiras fraudulentas do Master.

Num dos questionamentos feitos por senadores, o presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou a Souza se, a partir das auditorias realizadas até o momento, dá para dizer se o BRB foi "alvo de um assalto, de uma fraude pontual ou apenas de uma gestão temerária".

"Na avaliação que nós temos depois de seis meses, diria que os três estão juntos", respondeu o presidente do BRB.

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