Política

Lula pede que Rubio converse com Brasil 'sem preconceito'

Secretário de Estado dos EUA foi designado pelo governo para negociar tarifaço com autoridades brasileiras

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Camila Stucaluc
07/10/2025, 06:17 • Atualizado em 07/10/2025, 06:17
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Ricardo Stuckert/PR

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, na segunda-feira (6), que pediu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que converse com o Brasil “sem preconceito”. O político, que é crítico do governo brasileiro, foi designado para negociar o tarifaço de 50%, após telefonema entre Lula e o presidente Donald Trump.

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Segundo Lula, do lado brasileiro, negociam o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, o ministro Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A expectativa é que Rubio converse com autoridades norte-americanas já nesta terça-feira (7), para, em seguida, contatar o Brasil.

“Eles vão fazer uma discussão sobre o Brasil. Depois, o secretário de Estado vai procurar o nosso governo. Eu pedi para ele [Trump] dizer ao Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito, porque pelas entrevistas que ele deu há um certo desconhecimento sobre o país”, disse Lula, em entrevista ao Grupo Mirante, no Maranhão.

Apesar dos mediadores, o presidente afirmou que, quando for necessário, conversará diretamente com Trump. Segundo ele, ao final da conversa, ambos os líderes trocaram telefones pessoais, para que não precisem de intermediários.

"Se for uma coisa que precisar envolver mais gente, eu vou envolver, porque não sou eu que faço as negociações. Mas quando eu tiver um assunto político grave e eu tiver que tratar com o presidente Trump e ele comigo, a gente não vai precisar ficar esperando que a burocracia, que a liturgia, marque uma data. Não. A gente pega o telefone, liga um para o outro e coloca o assunto na mesa", disse Lula.

Crítico do governo brasileiro

Rubio é crítico do governo brasileiro devido à proximidade com a família Bolsonaro. Ele se aproximou do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018, durante uma viagem do brasileiro aos Estados Unidos, e se encontrou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dois anos depois, em 2020. Na época, elogiou “a nova era da política brasileira”.

Ao assumir o cargo de secretário de Estado este ano, Rubio desencadeou uma série de críticas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo devido ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Após o ex-presidente ser condenado a 27 anos de prisão, em setembro, o secretário ameaçou impor novas tarifas ao Brasil como resposta à “caça às bruxas” feita pela Corte.

Tarifaço

A taxa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos entrou em vigor no dia 6 de agosto. Em carta enviada à Brasília, o presidente Donald Trump disse que a decisão buscava “corrigir as graves injustiças do sistema” comercial atual. Ele também associou a medida ao que considera perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ataques à liberdade de expressão.

Em resposta, Lula afirmou que “é falsa a informação sobre o alegado déficit norte-americano”. Reforçou, ainda, que o “Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Na época, o governo cogitou uma possível retaliação, com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Ao todo, a taxação de Trump afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano, o que representa 4% das exportações brasileiras. Para auxiliar os exportadores, o governo federal anunciou um plano de contingência destinada ao setor. Entre as medidas está uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para atender produtores afetados. O país também iniciou a busca por novos parceiros comerciais, visando diversificar o mercado.

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