Política

Lula defende fortalecimento do Sul Global e diz que tarifas “não são mecanismo de coerção”

Presidente destacou papel do Brics e criticou desigualdade entre países no sistema financeiro internacional em discurso na Malásia

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Jessica Cardoso
25/10/2025, 13:01 • Atualizado em 25/10/2025, 13:01
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O presidente Lula recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25), em Kuala Lumpur, capital da Malásia, que o Brasil trabalha para fortalecer o diálogo e a cooperação entre os países do Sul Global.

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Ao receber o título de doutor honoris causa em Desenvolvimento Internacional e Sul Global pela Universidade Nacional da Malásia, Lula disse que as nações em desenvolvimento compartilham “o mesmo desejo de justiça e superação das desigualdades”, e defendeu uma ordem mundial mais equilibrada.

“Tarifas não são mecanismo de coerção. Nações que não se dobram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, declarou o presidente.

O discurso foi realizado às vésperas de um possível encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a redução de tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

Em sua fala, Lula também destacou o papel do Brics como instrumento de equilíbrio global.

“O Brics é ator fundamental na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico”, disse.

O fortalecimento do grupo também é algo que preocupa Trump por ser considerado uma força anti-hegemônica que desafia a supremacia dos EUA no mundo. O Brics é um grupo de países de economia emergente, formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China. Fazem parte ainda: África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

O presidente brasileiro afirmou ainda que a defesa de uma ordem baseada no diálogo e na igualdade soberana das nações “está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas”.

Crítica ao Conselho de Segurança da ONU

Lula criticou o atual formato do Conselho de Segurança, que, segundo ele, “seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafios do nosso tempo” se não houver maior representatividade.

O presidente também questionou a desigualdade no sistema financeiro internacional, afirmando que “é inaceitável que os países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no FMI do que o Sul Global”.

“A arquitetura financeira internacional deve direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável dos que mais precisam. Não podemos vislumbrar um mundo diferente sem questionar um modelo neoliberal que aprofunda desigualdades”, afirmou.

Lula também defendeu a ciência, o pensamento crítico e a paz durante seu discurso.

“A ciência não se resigna diante da mazela de doenças socialmente determinadas ou de pandemias. As ideologias que pregam o racismo, o colonialismo e a mitogenia não encontro respaldo no conhecimento científico. O pensamento crítico é incompatível com a miséria e com a guerra”, disse.

Ele citou o conflito em Gaza e a mobilização de jovens em todo o mundo contra o que chamou de “brutalidade do genocídio” e da “inércia moral” diante da ausência de um Estado palestino.

“Quase sempre são os jovens que nos recordam que a paz é o valor mais precioso da humanidade. Ela não pode ser comprada com os US$ 2 trilhões e 700 bilhões que o mundo gasta anualmente com armas. Somente a ação solidária das pessoas e das ações pode pavimentar o futuro de prosperidade compartilhada”, afirmou.

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