Lula chama Wagner de irmão em meio a investigações do Master
Presidente elogiou senador baiano e outros aliados no estado e tratou de afastar a impressão de distanciamento
Victor Schneider
01/07/2026, 18:22 • Atualizado em 01/07/2026, 18:33
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Aos olhos de Lula, Jaques Wagner fala durante o evento para entrega de um hospital na Bahia | Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratou de afastar as suspeitas de esfriamento na relação com o senador Jaques Wagner (PT-BA) em evento público nesta quarta-feira (1º), o primeiro desde que Wagner deixou a liderança do governo no Senado a pedido do presidente após ser alvo de buscas da Polícia Federal (PF). A suspeita é de recebimento de recursos indevidos do Banco Master para favorecer interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades.
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Em Alagoinhas (BA) para inaugurar o Hospital Estadual do Litoral Norte, Lula estendeu o aceno a outros aliados baianos que o antecederam em discursos elogiosos, engatando o tom eleitoral em terras baianas a três meses das eleições. “Tem uma coisa na vida que a gente não escolhe. A gente não escolhe pai, mãe, irmãos, irmãs. Mas a gente escolhe companheiros. E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data", destacou Lula.
O presidente citou nominalmente, além de Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que concorrerá à reeleição, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Otto Alencar (PSD-BA) – que, mesmo em um partido que lançará candidatura própria a presidente, declara voto abertamente em Lula.
“O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto. A primeira vez que eu vi o Otto, quando fui apresentado pelo Wagner, falei: ‘Otto, se eu fosse baiano, eu ia votar em você. Isso foi em 2010. E de lá para cá, A gente tem uma relação muito honesta, muito fraterna, muito companheira. Porque a verdade é essa: nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”, disse Lula.
Otto Alencar também fez questão de demonstrar estar ao lado de Wagner. "Quero fazer uma homenagem especial. Ele me arrancou do Tribunal de Contas, caminho com ele até hoje, são dois votos agora – não pode pedir voto. Mas se fosse eu e você, eu não pediria voto para mim. Eu pediria para você e renunciava o meu voto pelo merecimento que você tem comigo. Você é um irmão que eu conheci na caminhada, na vida pública, admiração muito grande por você. E você, com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada. O povo vai explicar isso no dia 4 de outubro”, afirmou.
Em outro momento, Lula atribuiu a Jaques Wagner, a quem apelida de “galego", a responsabilidade por trazer a Bahia da órbita do ex-governador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) para a do PT. Desde que Wagner venceu o ex-governador Paulo Souto nas eleições de 2006, o partido nunca mais perdeu para o governo e se impôs como força contrária ao "carlismo", hoje representado pelo provável adversário de Jerônimo, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.
“Eu achava impossível o galego ser candidato aqui e ganhar. Ele era meu ministro do Trabalho. Quando ele me procurou, falou: ‘Ô Lula, eu vou ter que sair para ser candidato a governador’. Eu falei: 'Você é louco, cara. Você está aqui no meu governo sendo ministro do Trabalho, você vai enfrentar uma aventura de enfrentar o carlismo?’ Ele falou: 'Vou’. Eu falei: ‘Wagner, você vai perder as eleições, cara’. Ele falou: ‘Não, eu vou ganhar’. E não é que o galego veio e ganhou em primeiro turno as eleições, depois se reelegeu no primeiro turno, elegeu o Rui no primeiro turno, reelegeu o Rui no primeiro turno outra vez, e agora quem é que acreditava que o Jerônimo seria eleito?", brincou o presidente.
Antes, Lula já havia cumprimentado Wagner, que falou rapidamente, focando em elogios ao trabalho do Lula 3. A relação entre os dois remonta à formação do PT, ainda no final dos anos 1970. Ele foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica da Bahia (Sindiquímica-BA) na época em que Lula comandou greves que pararam o ABC Paulista e o catapultaram como liderança a nível nacional.
Jaques Wagner se afastou da liderança do governo no Senado para dar lugar à senadora Teresa Leitão (PT-PE) enquanto responde às investigações da PF. Entre os elementos citados estão o recebimento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master. Os agentes também apreenderam US$ 55 mil e € 33 mil em espécie em residências do senador em Brasília.
Wagner disse que, no caso do apartamento, havia um acordo para que o empresário o ajudasse a adquiri-lo na planta para pagamento posterior. A ideia seria dar o imóvel de presente à enteada. Já o dinheiro encontrado, segundo o senador, é referente a diárias recebidas para missões no exterior pelo Senado e não tem qualquer relação com o banco que pertenceu a Daniel Vorcaro.
Lula chama Wagner de irmão em meio a investigações do MasterPresidente elogiou senador baiano e outros aliados no estado e tratou de afastar a impressão de distanciamento
Política2026-07-01T18:22:56.659ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratou de afastar as suspeitas de esfriamento na relação com o senador Jaques Wagner (PT-BA) em evento público nesta quarta-feira (1º), o primeiro desde que Wagner deixou a liderança do governo no Senado a pedido do presidente após ser alvo de buscas da Polícia Federal (PF). A suspeita é de recebimento de recursos indevidos do Banco Master para favorecer interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades. Em Alagoinhas (BA) para inaugurar o Hospital Estadual do Litoral Norte, Lula estendeu o aceno a outros aliados baianos que o antecederam em discursos elogiosos, engatando o tom eleitoral em terras baianas a três meses das eleições. “Tem uma coisa na vida que a gente não escolhe. A gente não escolhe pai, mãe, irmãos, irmãs. Mas a gente escolhe companheiros. E aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data", destacou Lula. + O presidente citou nominalmente, além de Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que concorrerá à reeleição, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Otto Alencar (PSD-BA) – que, mesmo em um partido que lançará candidatura própria a presidente, declara voto abertamente em Lula. “O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, a minha relação com o Rui Costa, a minha relação com o Jerônimo, a minha relação com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto. A primeira vez que eu vi o Otto, quando fui apresentado pelo Wagner, falei: ‘Otto, se eu fosse baiano, eu ia votar em você. Isso foi em 2010. E de lá para cá, A gente tem uma relação muito honesta, muito fraterna, muito companheira. Porque a verdade é essa: nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”, disse Lula. Otto Alencar também fez questão de demonstrar estar ao lado de Wagner. "Quero fazer uma homenagem especial. Ele me arrancou do Tribunal de Contas, caminho com ele até hoje, são dois votos agora – não pode pedir voto. Mas se fosse eu e você, eu não pediria voto para mim. Eu pediria para você e renunciava o meu voto pelo merecimento que você tem comigo. Você é um irmão que eu conheci na caminhada, na vida pública, admiração muito grande por você. E você, com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada. O povo vai explicar isso no dia 4 de outubro”, afirmou. Em outro momento, Lula atribuiu a Jaques Wagner, a quem apelida de “galego", a responsabilidade por trazer a Bahia da órbita do ex-governador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) para a do PT. Desde que Wagner venceu o ex-governador Paulo Souto nas eleições de 2006, o partido nunca mais perdeu para o governo e se impôs como força contrária ao "carlismo", hoje representado pelo provável adversário de Jerônimo, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. “Eu achava impossível o galego ser candidato aqui e ganhar. Ele era meu ministro do Trabalho. Quando ele me procurou, falou: ‘Ô Lula, eu vou ter que sair para ser candidato a governador’. Eu falei: 'Você é louco, cara. Você está aqui no meu governo sendo ministro do Trabalho, você vai enfrentar uma aventura de enfrentar o carlismo?’ Ele falou: 'Vou’. Eu falei: ‘Wagner, você vai perder as eleições, cara’. Ele falou: ‘Não, eu vou ganhar’. E não é que o galego veio e ganhou em primeiro turno as eleições, depois se reelegeu no primeiro turno, elegeu o Rui no primeiro turno, reelegeu o Rui no primeiro turno outra vez, e agora quem é que acreditava que o Jerônimo seria eleito?", brincou o presidente. Antes, Lula já havia cumprimentado Wagner, que falou rapidamente, focando em elogios ao trabalho do Lula 3. A relação entre os dois remonta à formação do PT, ainda no final dos anos 1970. Ele foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica da Bahia (Sindiquímica-BA) na época em que Lula comandou greves que pararam o ABC Paulista e o catapultaram como liderança a nível nacional. Jaques Wagner se afastou da liderança do governo no Senado para dar lugar à senadora Teresa Leitão (PT-PE) enquanto responde às investigações da PF. Entre os elementos citados estão o recebimento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master. Os agentes também apreenderam US$ 55 mil e € 33 mil em espécie em residências do senador em Brasília. Wagner disse que, no caso do apartamento, havia um acordo para que o empresário o ajudasse a adquiri-lo na planta para pagamento posterior. A ideia seria dar o imóvel de presente à enteada. Já o dinheiro encontrado, segundo o senador, é referente a diárias recebidas para missões no exterior pelo Senado e não tem qualquer relação com o banco que pertenceu a Daniel Vorcaro. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-chama-wagner-de-irmao-em-meio-a-investigacoes-do-master
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