Zambelli: advogado diz que Brasil usa manobra por extradição
Corte anulou a decisão de extradição da ex-deputada e determinou que caso seja julgado novamente em Roma




A ex deputada Carla Zambelli | Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Em entrevista ao SBT News, o advogado de Carla Zambelli, Fabio Pagnozzi, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a Justiça brasileira tenta uma "manobra" para efetivar a extradição e fazer com que Zambelli cumpra pena no Brasil. A declaração ocorreu após a Suprema Corte italiana anular o pedido de extradição da ex-deputada.
"Esse é o nosso argumento. Estão levando a Carla para um processo de semiaberto, só que, quando ela pousar no Brasil, vai ser presa pelo processo cuja extradição vocês [justiça italiana] já negaram. Isso vai pesar na hora de a Corte entender que, na verdade, essa é uma manobra para que ela seja presa aqui [no Brasil] no processo maior, que seria esse processo em regime fechado", afirmou.
Condenada pelo STF por invadir o sistema do CNJ, Zambelli viajou para o exterior e não foi detida pelas autoridades brasileiras. Com o nome incluído na Interpol em razão da condenação, ela foi presa na Itália. Com isso, a Justiça brasileira apresentou dois pedidos de extradição.
O primeiro diz respeito à invasão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Nesse caso, a Justiça italiana negou o pedido de extradição por entender que havia elementos que levantavam dúvidas sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes. A pena para esse crime é cumprida em regime fechado.
O segundo pedido de extradição é baseado no caso em que Zambelli perseguiu, com uma arma na mão, um homem no bairro dos Jardins, em São Paulo. Nesse caso, a pena é cumprida em regime semiaberto.
Para Fabio Pagnozzi, a manobra ocorreria caso a Justiça italiana aceitasse o pedido de extradição referente ao crime de perseguição. No entanto, quando chegasse ao Brasil, ela seria presa em regime fechado para cumprir a pena pela invasão ao sistema do CNJ. A Procuradoria concordou.
Ao recusar a extradição desta vez, a Justiça italiana determinou que o caso fosse reavaliado. Não há prazo para um novo julgamento.











