Justiça da Itália anula extradição de Carla Zambelli; defesa revela próximos passos
Advogado disse ao SBT News que a Corte italiana considerou frágeis as condenações contra a ex-deputada

A Justiça da Itália anulou, nesta sexta-feira (22), a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil no caso da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A informação foi confirmada pelo advogado da ex-parlamentar, Fabio Pagnozzi, em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News.
Segundo ele, a Suprema Corte da Itália anulou os dois processos de extradição e entendeu que houve perseguição política e jurídica contra Zambelli no Brasil. Pagnozzi disse que espera a liberação de Zambelli no início da semana que vem: "Na segunda ou terça, Carla já deve estar sendo libertada.”
Sobre os argumentos aceitos pela Corte italiana, o advogado afirmou que a defesa sustentou que “as condenações ocorreram sem provas suficientes para que tivessem penas tão elevadas”, especialmente no caso da invasão ao sistema do CNJ. Segundo ele, os magistrados também avaliaram que Zambelli poderia correr “risco de vida” em presídios brasileiros.
A decisão se refere ao processo em que Zambelli foi condenada no Brasil por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e adulterar documentos em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto.
Zambelli está presa em Roma desde julho de 2025. Já em território italiano, o plenário do Supremo Tribunal Federal também confirmou a condenação da ex-parlamentar por porte ilegal de arma. Posteriormente, a Corte declarou o trânsito em julgado das duas condenações, encerrando as possibilidades de recurso. Zambelli renunciou ao mandato de deputada em dezembro do ano passado.
Logo após a determinação da justiça, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma mensagem no X comemorando a decisão. "Carla LIVRE!!!", disse.
Defesa não acredita em recurso
Pagnozzi disse que ainda cabe recurso da procuradoria italiana contra a decisão que anulou a extradição, mas avaliou que as chances de reversão são pequenas. Segundo ele, como a decisão da Suprema Corte italiana foi praticamente um acórdão, “é muito difícil esse recurso ser acolhido”.
Ele também criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo e classificou como “uma decisão totalmente antecipada e totalmente sem fundamentos” a ordem para acelerar a extradição. O advogado afirmou que a defesa apresentou essa questão aos magistrados italianos, argumentando que Moraes “já queria a Carla Zambelli antes mesmo da Suprema Corte dar a sua decisão”.
Segundo a defesa, os ministros italianos consideraram grave a tentativa de pressionar pelo avanço do processo antes da análise final da Justiça italiana. “Parecia que ele estava dando uma ordem expressa para que se acelerasse o processo”, declarou.
Advogado diz que vai acionar Interpol para retirar Zambelli da lista vermelha
O advogado de Carla Zambelli disse ainda que, no entendimento da defesa, “a partir do momento que a Itália nega a extradição, ela tá na lista vermelha da Interpol, isso teria que cair”. Apesar disso, ele disse o procedimento não é automático e que os advogados vão protocolar um pedido formal na Interpol para esclarecer a situação.
Pagnozzi afirmou que Carla Zambelli ficará na Itália, mas a defesa quer garantir que ela também possa circular pela União Europeia sem restrições. Além disso, ela gostaria de voltar ao Brasil no futuro.
"Ela vai viver na Itália até que a gente tenha uma mudança de governo no Brasil, para que a gente possa entrar com revisões criminais sobre os casos dela. E obviamente a vontade dela é estar no Brasil, é estar com o povo brasileiro", completou.
Sobre o futuro de Zambelli, ele comentou sobre a dificuldade que ela terá de se manter no país: "Ela hoje não tem dinheiro, ela não levou o dinheiro. [...] Ela vai ter que vai ter que achar alguma coisa para fazer. Ela pensou em lançar um livro, pensou em fazer um aplicativo, mas agora a gente vai depender da criatividade dela."















