Irmã de 'Sicário' ameaçou 'acabar com a família' Vorcaro
Mensagens obtidas pela PF indicam que Joana Machado de Moraes Mourão usou supostos arquivos comprometedores para intimidar envolvidos no caso

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Felipe MOurão, o Sicário | Fotos: Reprodução
Joana Machado de Moraes Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", ameaçou divulgar arquivos que seriam capazes de "acabar com a família inteira" do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e de seu pai, Henrique Vorcaro. A revelação consta em relatório da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero.
O documento foi produzido pelos investigadores e encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira (16), o magistrado retirou o sigilo do relatório, que detalha mensagens trocadas entre os investigados, supostas tentativas de intimidação, ocultação de informações e interferência nas apurações conduzidas pela PF.
As ameaças aparecem em conversas analisadas pela corporação entre abril e maio de 2026. Em uma delas, Joana relata dificuldades financeiras após a morte de "Sicário" e reclama da falta de apoio de Henrique Vorcaro, a quem se refere pelas iniciais "HV". "HV não se manifesta com nada $", escreveu. Em seguida, afirmou: "Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades também."
No mesmo dia, Joana elevou o tom das cobranças e disse ter "material para acabar com a família inteira" e estar "no limite". Segundo a PF, as mensagens foram enviadas enquanto Manoel Mendes Rodrigues, apontado como operador financeiro do grupo investigado, tentava intermediar um acordo para evitar que ela colaborasse com as autoridades.
Os investigadores acreditam que o material mencionado por Joana provavelmente corresponde a arquivos armazenados no iCloud de "Sicário". Em uma conversa anterior, um homem identificado como Keysom Lúcio Silveira Moreira, primo de Joana, relatou que ela havia passado a noite acessando a conta do irmão e que "viu coisa demais".
O relatório também aponta que Joana utilizava o suposto acervo como forma de pressão sobre Henrique Vorcaro. Em maio, após a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, ela escreveu: "Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho; no que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no'‘Fantástico' e no [programa do Roberto] Cabrini dessa família maldita."
Na sequência, Joana enviou uma imagem que, segundo a PF, aparenta mostrar uma videoconferência entre Henrique Vorcaro, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado pela PF como integrante do esquema, e "Sicário". Para os investigadores, o conteúdo reforça a hipótese de que ela possuía registros potencialmente comprometedores relacionados aos alvos da operação.
A PF afirma ainda que Manoel atuou para viabilizar repasses financeiros à família de "Sicário", especialmente à mãe e à irmã do investigado, com o objetivo de amenizar as dificuldades financeiras enfrentadas por elas e evitar que Joana entregasse às autoridades o material que dizia possuir. A conduta pode ter servido para impedir uma eventual colaboração da familiar com as investigações.
De acordo com a PF, Joana também afirmou ter discutido diretamente com Henrique Vorcaro e disse que ele estaria "apavorado" porque "sabe o que ela tem em mãos. O relatório acrescenta que ela disse que estaria disposta a expor Henrique Vorcaro e toda a sua família, enquanto Manoel e Keysom tentavam apaziguar a situação.
"Sicário" morreu em 6 março de 2026, dois dias após ser preso, enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais. Considerado um dos principais personagens investigados no caso Master, ele era apontado pela PF como operador de esquemas relacionados ao grupo investigado.
Como mostrou o SBT News, em sua audiência de custódia, em maio, Henrique Vorcaro afirmou que sua relação com Mourão vinha de antes da criação do Banco Master. Ele acrescentou que os pagamentos que fez a ele não tinham relação com "A Turma", grupo que, segundo investigação da PF, atuava para intimidar quem pudesse atrapalhar os projetos da família Vorcaro.















