Política

Vorcaro tentou acionar diretor da PF e PGR antes de prisão

Ex-banqueiro teria pedido a interlocutor para falar com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet para evitar "alguma sacanagem" dias antes de ser preso em operação

Avatar de Valentina Moreira
Avatar de José Matheus Santos
Valentina Moreira, José Matheus Santos
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Reprodução

Uma petição divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (16) revela que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antes de ser preso pela primeira vez em novembro de 2025, teria orientado um interlocutor a acionar os atuais chefes da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet.

Segundo as investigações, o objetivo era impedir o que Vorcaro definiu como "alguma sacanagem" da PF e do MPF.

No texto, a PF afirma que: "Daniel Bueno Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Passos Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gustavo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem "alguma sacanagem", pois, segundo ele, "aí vai tudo pro saco". O conteúdo da conversa estaria no bloco de notas do ex-banqueiro. O interlocutor não foi revelado no documento.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

A manifestação teria antecedido a deflagração da Operação Compliance Zero. Consta nos documentos que o ex-banqueiro teve acesso privilegiado ao conteúdo da investigação. Dois dias antes de sua prisão, Vorcaro já havia tido conhecimento da Notícia de Fato do MPF que originou o caso, bem como da identidade do juiz e da vara em que tramitava o pedido de medidas cautelares contra ele.

Segundo Vorcaro, as informações vazaram de "pessoas de dentro do Bacen [Banco Central] ", que teriam participado de uma reunião sigilosa com a Polícia Federal dias antes da operação. Essa reunião contou com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Na petição divulgada pelo STF, também consta que a defesa de Vorcaro negou o acesso prévio às informações e argumentou que os dados teriam sido obtidos por meio da imprensa, o que, segundo a cronologia apontada pela Polícia Federal, não seria possível. Na realidade, o próprio ex-banqueiro teria vazado a informação para um jornalista, de acordo com investigação da PF.

Os investigadores também destacaram que o então advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, passou a trocar uma série de mensagens com o ex-banqueiro no dia da deflagração da operação, após passar mais de seis meses sem contactá-lo.

Nessa conversa, Warde teria alinhado uma petição com o cliente antes mesmo da decisão judicial que determinou a prisão.

"O comportamento, marcado por ligações sucessivas, mensagens insistentes e preocupação com horário de deslocamento, reforça o indicativo de que DV [Daniel Vorcaro] tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas ainda naquele dia, compatível com o contexto de sua prisão poucas horas depois", afirma o documento da PF. Para os investigadores, a reunião dessas informações reforça a tese de que o ex-banqueiro estava se preparando para fugir.

O SBT News procurou a PF e a PGR e aguarda manifestação.

O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues | Divulgação/Antonio Cruz/Agência Brasil
O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues | Divulgação/Antonio Cruz/Agência Brasil

Últimas notícias