Política

Governo condena ataque israelense em hospital na Faixa de Gaza e cobra responsabilização

Itamaraty pediu que comunidade internacional instaure investigação independente sobre o caso

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Camila Stucaluc
26/08/2025, 06:56 • Atualizado em 26/08/2025, 06:56
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Ataque israelense atingiu Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza | Divulgação/ONU

Ataque israelense atingiu Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza | Divulgação/ONU

O governo brasileiro condenou o ataque israelense que atingiu o hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. O bombardeio ocorreu na manhã de segunda-feira (25) e resultou na morte de pelo menos 20 pessoas, incluindo jornalistas e trabalhadores humanitários, enquanto outras dezenas ficaram feridas.

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Em nota, o Itamaraty afirmou que hospitais e unidades médicas são protegidas pelo Direito Internacional Humanitário e que ataques a tais instalações podem configurar crime de guerra. A pasta pediu que a comunidade internacional instaure uma investigação independente sobre o caso, visando responsabilizar os autores do ataque.

“O bombardeio contra o hospital Nasser soma-se a um padrão reiterado de violações perpetradas pelo governo de Israel contra a população palestina. A responsabilização por tais atos é condição essencial para evitar sua repetição e assegurar justiça às vítimas”, frisou o Itamaraty.

Ao reiterar o apelo por um cessar-fogo imediato, a pasta instou o governo de Israel a interromper os ataques contra a população civil de Gaza e a assegurar aos jornalistas o direito de desempenhar livremente e em segurança seu trabalho. Pediu, ainda, que Tel Aviv suspenda as restrições vigentes à entrada de ajuda humanitária na região.

O ataque israelense também foi condenado por outras autoridades e entidades internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Em meio ao cenário, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que irão abrir um inquérito para apurar o caso.

“Estamos cientes de relatos de danos causados ​​a civis, incluindo jornalistas. Gostaria de ser claro desde o início - as FDI não visam intencionalmente civis. O Hamas começou esta guerra e criou condições impossíveis. Eles usam deliberadamente infraestruturas civis, incluindo hospitais, como escudos”, disse o porta-voz da IDF, Effie Defrin.

Acordo de cessar-fogo

Na última semana, o Hamas concordou com uma proposta de cessar-fogo de 60 dias, mediada pelo Catar e pelo Egito. O acordo previa a libertação de 10 reféns israelenses vivos, mantidos em Gaza pelo Hamas, e de 18 corpos. Em troca, Israel libertaria cerca de 200 prisioneiros palestinos detidos no país.

A proposta foi rejeitada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que enfatizou que havia instruído o início de novas negociações para a libertação de todos os 50 reféns restantes em Gaza. O premiê disse ainda que exigiria o desarmamento completo do Hamas para acabar com a guerra.

Dias depois, ao citar uma nova ofensiva em Gaza, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o exército irá destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não concorde com os termos de cessar-fogo impostos pelo país. “Em breve, os portões do inferno se abrirão. Gaza se tornará Rafah e Beit Hanoun”, disse ele, referindo-se a duas cidades reduzidas a escombros devido à guerra.

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