Política

Tarifas: Flávio nos EUA atrapalha acordo, diz Aloysio Nunes

Ex-chanceler afirmou que pré-candidato à Presidência quer transformar audiências em palanque político

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Ighor Nóbrega
07/07/2026, 19:30 • Atualizado em 07/07/2026, 19:30
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O ex-chanceler Aloysio Nunes | Reprodução

O ex-chanceler Aloysio Nunes | Reprodução

O ex-chanceler Aloysio Nunes disse nesta terça-feira (7) que a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às audiências do governo dos Estados Unidos sobre a proposta de tarifas adicionais ao Brasil só tende a atrapalhar e prejudicar o Brasil.

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Em entrevista ao programa Radar News, do SBT News, o ex-ministro e atual chefe do escritório da Apex em Bruxelas afirmou que o pré-candidato a presidente quer transformar a audiência em um palanque político enquanto no meio empresarial há uma convergência em torno da derrubada das taxas comerciais.

“Toda essa união de interesses pode ser contaminada quando um candidato à Presidência da República, que em um passado ainda recente pediu aos Estados Unidos que aplicassem tarifas contra o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro, aparece lá para montar um palanque político. Acho muito prejudicial”, afirmou.

Aloysio Nunes explicou que essas discussões do tarifaço ainda estão em uma etapa técnica, sem negociação política, e que somente depois das audiências é que o governo brasileiro deve entrar em jogo.

Ele lembrou que, como acordaram os presidentes Lula (PT) e Donald Trump, as pendências serão resolvidas entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Nunes disse que a atuação do Brasil no plano político até o momento se concentra na apresentação de fatos contra as alegações da Casa Branca para embasar a aplicação de novas tarifas, como o aumento do desmatamento e a omissão no combate ao trabalho escravo – ambos rechaçados pelo governo Lula.

“Você tem nesse momento uma discussão que tem que ser tratada do ponto de vista racional: cotejar interesses de empresas brasileiras com suas correspondentes norte-americanas para evitar tarifas que serão muito prejudiciais à economia, às empresas e aos trabalhadores brasileiros”, declarou o ex-ministro.

“Quando um candidato à Presidência da República se manifesta dizendo que ‘olha, não é bom aplicar tarifa agora, mas se Lula for reeleito, tudo bem' não tem cabimento. É um caso único na política mundial um líder político ter esse tipo de atitude em relação aos interesses do seu país”, completou.

Na avaliação de Nunes, é possível que Washington desista da aplicação das novas tarifas devido ao impacto que a medida causará na popularidade interna do governo. “Ele [Trump] vai ter que levar em conta na etapa de negociação política os danos que esse tarifaço pode ter na economia americana”.

Risco de intervenção militar dos EUA

Aloysio Nunes comentou ainda o ofício assinado pelo Itamaraty alertando para o risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil.

Segundo o ex-chanceler, a possibilidade é real. Ele citou eventuais operações para o sequestro de pessoas apontadas como membros ou colaboradoras de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que foram denominadas organizações terroristas pela Casa Branca.

O advogado e político traçou um paralelo com a captura do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro em Caracas. O chavista está preso nos EUA por favorecimento ao tráfico de drogas.

Nunes é crítico da decisão dos EUA de classificarem PCC e CV como terroristas. Para o ex-chanceler, o principal prejuízo dessa medida é o deslocamento do assunto das forças policiais – Polícia Federal e FBI – para o Ministério da Defesa e o Departamento de Guerra.

“Você perde toda uma memória de colaboração entre policiais e passa a tratar desse assunto por organismos tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos que não têm competência. Atrapalha mais do que ajuda [o combate] ao crime organizado", afirmou.

“O ideal seria não interromper a cooperação entre Polícia Federal e FBI e buscar enquadrar essas organizações dentro da legislação brasileira, porque tem sentido combater organizações criminosas brasileiras no Brasil usando dispositivos dos Estados Unidos”, finalizou.

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