Em meio a atritos com Flávio, Michelle deve retomar agenda de viagens
Divergências sobre a disputa eleitoral crescem no clã Bolsonaro, e ex-primeira-dama planeja giro pelo país

Marcela Mattos
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro planeja retomar no próximo mês uma agenda de viagens como parte de um roteiro de encontros do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal. De acordo com o cronograma inicial, que pode variar conforme a situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, a meta é percorrer nove estados até junho deste ano.
A primeira parada deve acontecer no dia 7 de fevereiro, em Tocantins. Michelle ainda deve passar por estados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Nos encontros, que chegam a reunir mais de 1.000 pessoas, ela costuma subir em palanques para discursar, orar e cobrar por justiça ao marido. Com uma agenda cheia ao longo de todo o ano de 2025, o giro pelo país gerou dúvidas se Michelle, cotada a disputar uma cadeira ao Senado, não estaria tentando pavimentar uma candidatura nacional.
A última viagem da ex-primeira-dama aconteceu em 30 de novembro do ano passado, quando participou de um ato em Fortaleza (CE) e questionou publicamente a aliança do PL local com o ex-governador Ciro Gomes, um conhecido crítico de Bolsonaro. A costura, no entanto, havia sido avalizada pelo próprio ex-presidente, o que gerou uma reação dura por parte dos filhos - o senador Flávio Bolsonaro foi o primeiro a se manifestar, dizendo que Michelle foi “autoritária”.
Cinco dias depois, Flávio anunciou que tinha o apoio do pai para sair candidato à Presidência da República. Desde então, a família passa por um racha interno, intensificado pelos rumos da disputa eleitoral deste ano.
As desavenças aumentaram após a divulgação das primeiras pesquisas de opinião deste ano, apurou o SBT News. A Meio/Ideia mostrou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tecnicamente empatado com o presidente Lula num eventual segundo turno. Na sequência aparecem Michelle e Flávio Bolsonaro, respectivamente. No entorno da ex-primeira-dama e numa ala do PL, houve a avaliação de que a insistência de Flávio Bolsonaro em concorrer à Presidência ajudará a reeleição petista.
Já a pesquisa Quaest indicou que Flávio Bolsonaro subiu alguns pontos entre dezembro e janeiro e avançou no índice daqueles que o conhecem e votariam nele. Nas rodas internas, também houve comemoração com o fato de Michelle ter “encolhido” - antes, 19% diziam que ela deveria ser a escolha de Jair Bolsonaro caso a indicação de Flávio tenha sido um erro, número que passou para 11% em janeiro.
Em outra frente, um vídeo compartilhado na terça-feira (13) por Michelle no qual Tarcísio de Freitas faz críticas ao presidente Lula foi recebido por pessoas próximas ao senador como um recado sobre a preferência política da ex-primeira-dama, que chegou a ser colocada por figuras do Centrão como um nome forte para compor a vice numa eventual candidatura presidencial de Tarcísio.
Em resposta, Michelle justificou em uma rede social que repostou o vídeo “com uma mensagem sobre economia com a qual concorda totalmente”. “O vídeo trata de assunto relevante para o povo e não há como discordar daquilo que é falado”, afirmou. Na quarta-feira (14), a ex-primeira-dama publicou um vídeo de Romeu Zema, governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, também criticando a gestão petista.









