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Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e amplia risco de intervenção na Petrobras

Com Brent em alta após tensão no Estreito de Ormuz, Adriano Pires avalia impactos na inflação, no câmbio e no ano eleitoral brasileiro

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SBT News
01/03/2026, 23:51 • Atualizado em 01/03/2026, 23:51
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Os ataques no Oriente Médio já impactam a economia global. O barril do Brent avançou cerca de 10% após interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa entre 20% e 30% do petróleo comercializado no mundo.

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Em entrevista ao SBT News, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, afirmou que o Brasil pode se beneficiar no saldo da balança comercial, mas alertou para riscos internos, como pressão inflacionária e eventual intervenção na Petrobras caso o preço do barril permaneça elevado.

Segundo ele, o país caminha para produzir mais de 5 milhões de barris por dia até 2027 ou 2028, impulsionado pelo pré-sal, o que o colocaria entre os cinco maiores produtores globais. O petróleo já é o principal item da balança comercial brasileira, e a alta do barril tende a ampliar o superávit externo. Por outro lado, o impacto interno pode ser negativo.

“Se aumentar o preço da gasolina e, principalmente, do diesel, você tem efeitos inflacionários relevantes”, afirmou. O diesel, lembrou, é fundamental para o transporte de mercadorias no país, majoritariamente feito por caminhões.

Ano eleitoral e pressão política

Pires destacou que a alta do petróleo ocorre em ano eleitoral, cenário semelhante ao de 2022, quando o barril superou os US$ 100 durante a guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele período, o governo federal zerou tributos federais sobre combustíveis e promoveu mudanças na presidência da Petrobras.

Na avaliação do especialista, caso o barril volte a superar os US$ 100 e permaneça nesse patamar por um período prolongado, há risco de intervenção na política de preços da estatal. “Se o preço crescer e ficar alto por algum tempo, dado o histórico do PT, pode haver intervenção para evitar repasses integrais ao consumidor”, disse.

Ele pondera, no entanto, que o cenário atual difere do observado em 2022. Hoje, segundo Pires, a oferta global de petróleo cresce em ritmo superior ao da demanda, o que funcionaria como “colchão” para evitar disparadas mais acentuadas.

Estreito de Ormuz e geopolítica

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais gargalos logísticos do petróleo mundial. A maior parte da produção do Oriente Médio destinada à Ásia passa pela região, o que torna países como Japão e China especialmente vulneráveis a uma eventual interrupção.

Para o especialista, a atual crise pode enfraquecer ainda mais a OPEP, que já vinha perdendo influência diante do avanço da produção em países fora do cartel, como Estados Unidos, Brasil e Guiana.

Margem equatorial e segurança energética

Pires também defendeu o avanço da exploração na margem equatorial brasileira como forma de garantir segurança energética no médio e longo prazo. Segundo ele, a produção do pré-sal deve começar a declinar a partir do fim da década, o que exigirá novas fronteiras exploratórias.

Sobre a possibilidade de o Brasil reduzir importações refinando mais petróleo internamente, ele afirmou que há limites técnicos nas refinarias, cuja capacidade atual gira em torno de 2 milhões de barris por dia, enquanto o consumo é de cerca de 3 milhões.

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