Em jantar, Lula faz ofensiva para convencer Hugo Motta sobre fim da escala 6x1
Resultado foi a promessa de uma reunião entre os presidentes da República e da Câmara para debater o assunto de forma mais aprofundada


Iander Porcella
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o jantar com lideranças da Câmara na noite desta quarta-feira, 4, para tentar convencer o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a aprovar o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso). O encontro ocorreu na Granja do Torto, casa de campo da Presidência da República.
No discurso que fez aos convidados, o petista evitou falar na tramitação de projetos no Congresso, mas em conversas paralelas defendeu uma jornada de trabalho menor. O resultado foi a promessa de uma reunião entre Lula e Motta para debater o assunto de forma mais aprofundada. Ainda não há data marcada, mas a expectativa é que ocorra na semana que vem.
O Palácio do Planalto elegeu o fim da escala 6x1 como uma das bandeiras eleitorais de Lula neste ano. A avaliação é de que a medida é popular e pode gerar votos para a tentativa de reeleição do presidente em outubro.
Há resistência à mudança da jornada de trabalho por parte de setores do empresariado, que exercem grande influência no Congresso. No entanto, o governo aposta que, com o eventual apoio de Motta para levar o tema ao plenário, poucos deputados teriam coragem de votar contra uma iniciativa que tem apoio da maior parte da opinião pública.
Tanto na Câmara quanto no Senado há projetos de lei e Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sobre a escala de trabalho, com textos que propõem jornadas 4x3 e 5x2. O governo, contudo, estuda enviar um texto próprio com urgência constitucional.
O jantar foi um gesto de Lula para tentar se reaproximar dos deputados em ano eleitoral. Participaram, além de Motta e dos líderes da Câmara, ministros como Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, Fernando Haddad, da Fazenda, Alexandre Silveira, de Minas e Energia, Rui Costa, da Casa Civil, além do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Janja da Silva.







