Dante Michelini, absolvido no assassinato de Araceli, é encontrado morto em Guarapari (ES)
Caso é investigado como homicídio; morte de menina é um dos mais emblemáticos do país


SBT News
com informações da TV Sim
A Polícia Civil do Espírito Santo confirmou que o corpo encontrado em avançado estado de decomposição em um sítio na cidade de Guarapari, no Espírito Santo, na terça-feira (3), é de Dante de Brito Michelini, conhecido como Dantinho, de 76 anos. A confirmação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (5) após exames papiloscópicos realizados no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória.
Dante foi um dos acusados, e posteriormente absolvido pela Justiça, do assassinato da menina Araceli Crespo, de 8 anos, em 18 de maio de 1973, em Vitória. Em 2026, o crime completa 53 anos e permanece como um dos mais emblemáticos casos de violência contra crianças no país, tendo inspirado a criação da Lei 9.970/2000, que instituiu a data da morte da menina como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A Polícia Militar foi acionada após uma testemunha informar que não tinha notícias do proprietário há dias. No sítio, os policiais encontraram janelas quebradas, paredes danificadas, a residência parcialmente queimada e o corpo com sinais de carbonização e decapitação. As polícias Civil e Científica também foram acionadas, e a Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari conduz a investigação. Até o momento, nenhum suspeito foi detido.
O advogado que representa um dos irmãos de Michelini, Adir Rodrigues Silva Junior, afirmou que a família acompanhará o andamento da perícia. Segundo ele, Dante vivia recluso e isolado no sítio há muitos anos, desde a morte do pai, Dante Barros Michelini.
“Vamos acompanhar as investigações para saber o que pode ter motivado um crime como esse”, disse o advogado.
De acordo com a polícia local, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), e o laudo pericial deve sair em até 10 dias, podendo se estender de 30 a 90 dias caso sejam necessários exames mais complexos, como DNA ou toxicológicos.
Caso Araceli

Dante de Brito Michelini foi um dos três principais acusados no assassinato da menina Araceli, de 8 anos, que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória. Seu corpo foi encontrado seis dias depois do desaparecimento, desfigurado por ácido.
Os outros dois suspeitos eram Dante de Barros Michelini e Paulo Constanteen Helal, pai e amigo de Dantinho, respectivamente.
Na década de 1980, os três chegaram a ser condenados, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Em 1991, após nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O caso foi arquivado e nunca teve responsáveis punidos.
Todos os suspeitos eram membros de famílias tradicionais e influentes do Espírito Santo, incluindo o avô de Dante de Brito Michelini, de mesmo nome, e que dá nome a uma das principais avenidas de Vitória.








