Política

Durigan descarta retaliação e defende reciprocidade aos EUA

Ministro da Fazenda afirma que governo busca resposta técnica e equilibrada ao tarifaço dos Estados Unidos e critica uso político da medida

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André Barbeiro
17/07/2026, 17:58 • Atualizado em 17/07/2026, 18:02
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao SBT News | Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao SBT News | Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro não pretende adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos após a decisão de elevar em 25% as tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a resposta do país será pautada pelo princípio da reciprocidade, previsto na legislação aprovada pelo Congresso Nacional.

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"Não cabe falar em retaliação, é uma palavra que está fora do nosso escopo, fora do nosso trabalho", disse Durigan em entrevista coletiva.

🔎A Lei da Reciprocidade, promulgada em 2025, autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do Brasil.

O ministro explicou que a lei aprovada por unanimidade pelo Congresso criou um procedimento específico para responder a medidas unilaterais adotadas por outros países. A norma permite ao Brasil reagir de maneira proporcional, preservando a segurança jurídica e a estabilidade das relações comerciais.

Ao comentar o cenário, Durigan também fez um apelo para que a disputa comercial não seja explorada com objetivos eleitorais. "Meu papel é garantir que a economia siga estável. Seja discutindo com empresários, seja avaliando com cautela qual o processo de reciprocidade que Congresso nos ofereceu."

Na avaliação do ministro, a decisão dos Estados Unidos extrapola a esfera comercial. Ele afirmou que os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil não justificariam a imposição das tarifas e defendeu que há uma motivação política por trás da medida.

"Como o Brasil ganha o argumento técnico, o argumento de comércio, não sobra outra coisa a não ser um argumento político-eleitoral. E tem gente no Brasil que apoia", comentou.

Durigan também criticou o apoio de integrantes da família Bolsonaro ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Para ele, esse posicionamento contraria os interesses nacionais em um momento em que o governo busca proteger empresas e trabalhadores brasileiros dos impactos da medida.

Apesar das críticas, o representante da Fazenda reforçou que o Brasil continuará defendendo sua posição por meio do diálogo e de fundamentos técnicos. "O Brasil não pode se acovardar", afirmou, acrescentando que as tarifas são prejudiciais tanto para a economia brasileira quanto para a norte-americana.

Como exemplo da falta de respaldo à decisão de Washington, Durigan destacou que, nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), 63 das mais de 70 manifestações registradas se posicionaram contra a adoção do tarifaço. Ainda assim, segundo ele, tanto os argumentos apresentados pelo governo brasileiro quanto os do setor empresarial foram ignorados pela administração americana.

Defesa do Pix

Durigan também saiu em defesa do Pix, após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado pelos Estados Unidos como uma suposta prática comercial desleal na investigação aberta com base na Seção 301 da legislação americana. Para o ministro da Fazenda, a inclusão da ferramenta na disputa comercial não encontra respaldo técnico e representa um equívoco na avaliação feita por Washington.

Segundo ele, o Pix é uma infraestrutura pública desenvolvida pelo Banco Central e disponível a qualquer instituição financeira interessada, sem cobrança de taxas ou restrições de acesso. Ele ressaltou que o sistema não concorre com empresas privadas, mas amplia a inclusão financeira e facilita as transações para consumidores e empresas, beneficiando todo o mercado.

Durigan afirmou ainda que o Pix não fará parte de qualquer negociação entre Brasil e Estados Unidos. "O Pix vai ser preservado como um serviço público oferecido aos brasileiros. Isso é olhar para a nossa população e garantir que não haja retrocesso no que já vimos de avanço", declarou.

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