Política

Só falarei do tarifaço quando Trump falar, diz Lula

Presidente participou de evento no Rio e evitou tocar no assunto; até o momento, Planalto escalou ministros e autoridades para falar em nome do Brasil

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Victor Schneider
Lula em evento no Rio nesta sexta (17) | Reprodução/YouTube

Lula em evento no Rio nesta sexta (17) | Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (17) que só vai fazer uma declaração pública sobre o tarifaço a produtos brasileiros depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na quinta (16), o presidente escalou ministros e autoridades do governo para reagir às sobretaxas, mas não se envolveu diretamente em nenhum pronunciamento.

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Com discurso sob várias amarras da lei eleitoral, Lula esteve no Rio de Janeiro para visitas à carreta da saúde da mulher junto ao prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) e o governador interino Ricardo Couto.

Ao longo de 20 minutos, o presidente contou histórias da própria vida ao falar sobre o direito universal de acesso à saúde e evitou tocar em temas políticos, que podem ser explorados por adversários na Justiça durante o período de defeso eleitoral, quando quem disputará cargos públicos não pode fazer entregas ou propaganda de governo sob o risco de incorrer no crime de abuso de poder político e econômico.

“Vocês percebem, companheiros da imprensa, que eu falei para caramba e não falei do tarifaço. A notícia tem quer ser o SUS, as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres. Por isso, eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei, porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro do que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira", afirmou.

Na quinta, o governo convocou coletiva com ministros de pastas como a Fazenda, Indústria e Relações Exteriores, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Cada um cuidou de falar sobre a parte que atingia a sua área de competência nas alegações formalizadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para justificar a tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

Até o momento, Trump também não se pronunciou sobre o assunto. A responsabilidade ficou restrita ao secretário de Estado, Marco Rubio, que acusou Lula de não ter negociado “de boa-fé” com o governo americano. A declaração foi rebatida pelo chanceler Mauro Vieira, que afirmou que Rubio e referia ao presidente brasileiro de forma “grosseira e arrogante”.

“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou a sua disposição em negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário Marco Rubio [...] são inaceitáveis, ofensivas ao povo e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”, disse em coletiva no Itamaraty na quinta.

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