Planalto minimiza risco de STF afetar negociação com EUA
Governo avalia que crise entre Mendonça e Moraes, que já foi alvo da Lei Magnitsky, não deve contaminar tratativas sobre o tarifaço
Hariane Bittencourt
Alexandre de Moraes e André Mendonça | Foto: Antonio Augusto/Gustavo Moreno/STF
O Palácio do Planalto avalia que a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não deve contaminar as negociações comerciais com os Estados Unidos.
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A avaliação de integrantes do governo é que, apesar da gravidade do embate dentro da Corte, não há, neste momento, sinais de que a crise vá provocar uma nova deterioração na relação entre Brasília e Washington ou atrapalhar as negociações para reduzir as tarifas de até 37,5% impostas a produtos brasileiros.
A orientação é tratar os dois assuntos separadamente. A prioridade do governo é manter aberto o canal de diálogo com a Casa Branca e avançar, principalmente, na ampliação da lista de produtos brasileiros livres das sobretaxas.
Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente as negociações no fim de agosto, após uma ligação de uma hora e vinte minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
Na segunda-feira (31), houve a primeira reunião ministerial para tratar do novo tarifaço, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias.
No Planalto, a retomada do diálogo é vista como uma mudança importante em relação ao período de maior tensão entre os dois países. As negociações, no entanto, ainda são tratadas com cautela. É nesse cenário que o governo acompanha a crise no Supremo.
O confronto se intensificou depois que Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master, levantou o sigilo de diálogos atribuídos a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu que o plenário do STF analisasse o caso. Moraes, em ato contínuo, pediu a apuração da conduta de Mendonça.
Para integrantes do governo, o episódio é grave do ponto de vista institucional, mas não deve abrir uma nova frente de conflito com os Estados Unidos.
A avaliação é que Washington deve manter o foco nos interesses comerciais e tratar eventuais questões envolvendo o STF como um assunto interno brasileiro.
O cuidado do Planalto leva em conta o histórico recente. Em julho de 2025, Moraes foi sancionado pelo governo Trump com base na Lei Magnitsky, sob acusações de violações de direitos humanos e de restrições à liberdade de expressão.
A medida fez parte de uma escalada de tensão que também envolveu restrições de vistos e o tarifaço contra produtos brasileiros na esteira do julgamento por tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Agora, porém, o cenário é considerado diferente pelo governo. Lula e Trump voltaram a conversar diretamente, e as equipes dos dois países retomaram as negociações comerciais.
A estratégia do Planalto é acompanhar a evolução dos fatos e, inclusive de olho nas eleições, evitar que a crise no Supremo se transforme em mais um obstáculo para uma negociação considerada prioritária pelo governo.
Planalto minimiza risco de STF afetar negociação com EUAGoverno avalia que crise entre Mendonça e Moraes, que já foi alvo da Lei Magnitsky, não deve contaminar tratativas sobre o tarifaçoMundo2026-09-04T20:17:30.170ZO Palácio do Planalto avalia que a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não deve contaminar as negociações comerciais com os Estados Unidos. A avaliação de integrantes do governo é que, apesar da gravidade do embate dentro da Corte, não há, neste momento, sinais de que a crise vá provocar uma nova deterioração na relação entre Brasília e Washington ou atrapalhar as negociações para reduzir as tarifas de até 37,5% impostas a produtos brasileiros. A orientação é tratar os dois assuntos separadamente. A prioridade do governo é manter aberto o canal de diálogo com a Casa Branca e avançar, principalmente, na ampliação da lista de produtos brasileiros livres das sobretaxas. Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente as negociações no fim de agosto, após uma ligação de uma hora e vinte minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. Na segunda-feira (31), houve a primeira reunião ministerial para tratar do novo tarifaço, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias. No Planalto, a retomada do diálogo é vista como uma mudança importante em relação ao período de maior tensão entre os dois países. As negociações, no entanto, ainda são tratadas com cautela. É nesse cenário que o governo acompanha a crise no Supremo. O confronto se intensificou depois que Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master, levantou o sigilo de diálogos atribuídos a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu que o plenário do STF analisasse o caso. Moraes, em ato contínuo, pediu a apuração da conduta de Mendonça. Para integrantes do governo, o episódio é grave do ponto de vista institucional, mas não deve abrir uma nova frente de conflito com os Estados Unidos. A avaliação é que Washington deve manter o foco nos interesses comerciais e tratar eventuais questões envolvendo o STF como um assunto interno brasileiro. O cuidado do Planalto leva em conta o histórico recente. Em julho de 2025, Moraes foi sancionado pelo governo Trump com base na Lei Magnitsky, sob acusações de violações de direitos humanos e de restrições à liberdade de expressão. A medida fez parte de uma escalada de tensão que também envolveu restrições de vistos e o tarifaço contra produtos brasileiros na esteira do julgamento por tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, porém, o cenário é considerado diferente pelo governo. Lula e Trump voltaram a conversar diretamente, e as equipes dos dois países retomaram as negociações comerciais. A estratégia do Planalto é acompanhar a evolução dos fatos e, inclusive de olho nas eleições, evitar que a crise no Supremo se transforme em mais um obstáculo para uma negociação considerada prioritária pelo governo.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/planalto-minimiza-risco-de-stf-afetar-negociacao-com-eua