Política

CPMI do INSS: ex-ministro de Bolsonaro admite ter recebido doação de investigado, mas nega conhecê-lo

Felipe Macedo Gomes, um dos principais alvos da Comissão Parlamentar, ajudou a campanha do ex-chefe da Previdência ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022

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Hariane Bittencourt
06/11/2025, 18:42 • Atualizado em 07/11/2025, 04:11
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Onyx Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e Previdência, admitiu nesta quinta-feira (6), em depoimento à CPMI do INSS, ter recebido R$ 60 mil como doação de campanha do empresário Felipe Macedo Gomes, ex-dirigente da Amar Brasil, mas negou conhecê-lo. A entidade é investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de participação no esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões, revelado em abril.

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A afirmação foi em resposta a uma pergunta do relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), durante a sessão desta quinta. "A Amar Brasil é uma instituição bandida. Um dos responsáveis pela Amar Brasil é Felipe Macedo Gomes. Esse rapaz, que deveria estar preso, depositou R$ 60 mil na sua conta de campanha para governador do Rio Grande do Sul. Esses R$ 60 mil foram vantagem indevida pelo exercício do cargo de ministro da Previdência?", questionou Gaspar.

Onyx respondeu, negando conhecer um dos principais alvos da comissão. "Tive 115 doadores e não conheço mais de 30 ou 35% deles. Nunca vi esse cidadão, não sei quem é. Nunca pedi dinheiro para bandido", garantiu o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), que também negou conhecer figuras como Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

O ex-ministro também evitou dar garantias de que, enquanto esteve no governo, não houve desvios ou pagamento de propina para integrantes da alta cúpula do INSS, em troca de um "sinal verde" para as fraudes. "Eu não posso garantir por que isso não está nas atribuições do ministro da Previdência. Que eu tivesse conhecimento ou que alguém levasse alguma denúncia, nunca chegou. Se tivesse chegado eu tinha mandado direto para a Polícia Federal", afirmou.

A sessão de hoje começou pouco antes das 10h e continua acontecendo. Antes do depoimento de Onyx, os deputados e senadores aprovaram pedidos de prisão e uma acareação entre o "Careca do INSS" e o advogado Eli Cohen, autor de denúncias contra pelo menos três associações, além de quebras de sigilo de outras entidades associativas.

Próximos depoimentos

Na próxima segunda (10), a CPMI deve receber o empresário Igor Dias Delcroide, ligado a empresas que criam sites de assinatura digital. Esses sites teriam sido utilizados por entidades investigadas, para filiar – de forma fraudulenta e sem autorização – aposentados e pensionistas.

Os depoimentos vão seguir até 4 de dezembro, quando a comissão será suspensa até ser retomada no ano que vem. Antes disso, em 1º de dezembro, os parlamentares esperam ouvir o ministro da Previdência Social do governo do presidente Lula (PT), Wolney Queiroz.

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