Com recados a Trump e big techs, Lula propõe seis eixos principais para os Brics
Presidente falou sobre acesso a medicamentos, proteção do meio ambiente e monopólio das big techs na inteligência artificial
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Vinícius Nunes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs nesta quarta-feira (26) seis eixos que guiarão os trabalhos brasileiros na presidência dos Brics. Segundo o presidente, os países do bloco devem projetar um "mundo multipolar com relações menos assimétricas".
Com recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula destacou a força que os países do bloco têm em organismos internacionais e a importância de acordos e resoluções multilaterais.
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Como primeiro eixo, Lula disse ser inadiável uma reforma na arquitetura multilateral, na Organização das Nações Unidas (ONU) e no Conselho de Segurança do órgão. "Quem aposta no caos e na imprevisibilidade se afasta dos compromissos coletivos que a humanidade precisa urgentemente assumir", disse o presidente.
Lula apontou como segundo eixo uma cooperação de saúde global, sendo esse ponto uma das maiores urgências do sul global. Neste tópico, Lula deu o primeiro recado a Trump, que deixou a Organização Mundial da Saúde (OMS): "Sabotar os trabalhos da OMS é um erro com sérias consequências, fortalecer a arquitetura mundial da saúde, com a OMS em seu centro, é fundamental para garantir o justo e equitativo acesso a medicamentos e vacinas necessários para o desenvolvimento sustentável de nossos países".
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No terceiro eixo, o petista elencou a contribuição dos Brics para o aprimoramento do sistema monetário e financeiro internacional. "A atual escalada protecionista na área de comércio e investimentos reforça a importância de medidas que buscam superar os entraves da nossa integração econômica", disse Lula.
Como quarto eixo, Lula indicou o enfrentamento à crise climática. Para o presidente, "a omissão custará caro e não poupará ninguém". O presidente lembrou que o acordo de Paris e todo o seu regime do clima estão sob ameaça após Trump dizer que os EUA deixarão efetivamente o acordo em 2026.
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Lula definiu como quinto eixo a importância de distribuição e regulamentação da inteligência artificial (IA). Neste ponto, o petista deu um recado às big techs, dizendo que essa tecnologia não pode se tornar monopólio de poucos países e empresas. "Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação", disse.
Para finalizar, estabeleceu como sexto eixo o aumento da institucionalidade dos Brics. O petista expôs o desejo de fazer com que o bloco seja mais forte e protagonize discussões internacionais. "Estou convicto de que o Brics seguirá sendo motor de mudanças positivas para nossas nações e para o mundo", completou o presidente.