Política

Bolsonaro diz não ter "ambição pelo poder", critica imprensa e pede sabatina "ao vivo, sem edições"

Ex-presidente não comentou indiciamento pela PF no caso da suposta da venda ilegal de joias presenteadas pela Arábia Saudita no governo passado

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Felipe Moraes
Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro na CPAC Brasil | Reprodução/YouTube

Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro na CPAC Brasil | Reprodução/YouTube

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de evento conservador em Santa Catarina, neste sábado (6), e evitou comentar indiciamento pela Polícia Federal (PF) no caso das joias dadas de presente pela Arábia Saudita no governo passado e supostamente negociadas de forma ilegal nos Estados Unidos.

Em rápido discurso na abertura da Conferência Anual de Ação Política Conservadora (CPAC Brasil), afirmou não ter "ambição pelo poder", criticou a "grande imprensa" e declarou estar à disposição para uma sabatina com duas horas de duração, "ao vivo, sem edições".

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"Não tenho ambição pelo poder. Tenho obsessão pelo nosso Brasil", falou Bolsonaro, em evento realizado em Balneário Camboriú (SC) e que terá, neste domingo (7), presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na primeira visita dele ao Brasil. A vinda, porém, será de forma privada, sem encontros previstos com autoridades do governo brasileiro.

Ao citar "aquela grande imprensa que me critica", sem dar nomes de veículos, o ex-presidente disse estar "à disposição para duas horas, ao vivo, ser sabatinado sobre qualquer coisa".

"Se acham que vão me desgastar, as mídias sociais nos deram a liberdade. Por isso, querem censurar", continuou Bolsonaro, acompanhado no palco pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo filho "03", deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

"Repito, estou à disposição por duas horas. Será a maior audiência da história dessa televisão, tenho certeza. Para discutir sobre tudo, qualquer assunto. Ao vivo, sem manipulação e sem edições", reiterou.

Dirigindo-se à plateia, Bolsonaro disse que "vale a pena qualquer sacrifício pela nossa pátria". "E a direita, que está unida, ficará ainda mais fortalecida depois desse evento", completou.

O ex-presidente ainda declarou que ele, aliados e apoiadores podem "redimensionar o destino da nação". "Temos aquilo que ninguém tem: país de cristãos, de pessoas ordeiras, trabalhadoras, e nós somos realmente um país que tem tudo para ser destaque no mundo. Falta pouca, mas pouquíssima coisa".

Indiciamento no caso das joias sauditas

Bolsonaro e mais onze pessoas, como o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, e os advogados Frederick Wassef e Fabio Wajngarten, também ex-secretário de Comunicação no governo passado, foram indiciados pela PF no caso das joias sauditas.

Segundo a investigação, as joias foram dadas de presente pela Arábia Saudita ao governo brasileiro na gestão de Bolsonaro. Algumas delas foram supostamente negociadas de forma ilegal nos Estados Unidos. Depois, ex-assessores tentaram recomprar presentes para fazer a devolução ao patrimônio brasileiro.

O relatório da PF será enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte.

Moraes vai encaminhar o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia se arquiva, apresenta denúncia formal ou devolve inquérito à PF para novas diligências e aprofundamento da investigação.

No caso das supostas fraudes em cartões de vacina contra covid-19, por exemplo, a PF indiciou Bolsonaro e aliados em março, mas a PGR devolveu relatório pedindo novas diligências.

Ainda há outros inquéritos em andamento, como o que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

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