Política

Big techs: regulação das redes sociais no STF acirra governo e oposição no Senado

Humberto Costa e Cleitinho esquentaram debate no plenário da Casa; Supremo irá retomar julgamento do Marco Civil da Internet na próxima quarta (4)

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Rafael Porfírio
Senador Humberto Costa (PT-PE) à esquerda e senador Cleitinho (Republicanos-MG) à direita | Divulgação/Senado

Senador Humberto Costa (PT-PE) à esquerda e senador Cleitinho (Republicanos-MG) à direita | Divulgação/Senado

As grandes plataformas digitais, conhecidas como big techs, voltaram ao centro do debate político nessa quinta-feira (29), no plenário do Senado Federal, acirrando debate entre governo e oposição. Dois senadores, com visões diferentes, comentaram sobre o futuro da regulação das redes sociais no Brasil.

De um lado, o senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu com firmeza a necessidade de regras mais duras para essas empresas. Do outro, senador Cleitinho (Republicanos-MG) criticou a movimentação do Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do tema, dizendo que a tarefa cabe apenas ao Congresso Nacional. O presidente dessa Corte, Luís Roberto Barroso, pautou a retomada do julgamento do Marco Civil da Internet para o dia 4 de junho, próxima quarta.

"Big techs ameaçam a soberania nacional", diz governista

Para Humberto Costa, as big techs representam uma ameaça direta à soberania do Brasil. Segundo o senador, essas empresas operam politicamente por meio de aliados no Congresso para impedir qualquer tipo de regulação. Humberto citou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo ele, atua no exterior contra os interesses do Brasil, buscando inclusive sanções internacionais contra autoridades brasileiras.

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"Não podemos aceitar que políticos brasileiros atuem como testas de ferro de interesses estrangeiros, atentando contra a soberania nacional, contra o Estado de direito e contra a democracia. É preciso registrar que a atuação do senhor Eduardo Bolsonaro e das big techs se dá justamente porque sabem que o Supremo Tribunal Federal pode proferir a qualquer momento uma decisão paradigmática (...), alterando o entendimento obsoleto do artigo 19 do Marco Civil da Internet, impondo finalmente a responsabilidade objetiva das plataformas. E é por isso que estão tão desesperados, atacando ministros, atacando a Justiça, atacando o próprio Brasil."

O senador também lembrou que o governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), já apresentou ao Supremo apoio à regulação. Segundo ele, o ministro Dias Toffoli, relator do caso, propôs uma série de obrigações para as plataformas, como autenticação das contas, regras claras de moderação, relatórios de transparência e canais para denúncias.

Humberto reforçou que as plataformas precisam ser responsabilizadas. Para ele, assim como jornais e redes de TV são responsabilizados por conteúdos ilegais, as plataformas digitais também devem responder civilmente pelos conteúdos que impulsionam ou permitem circular.

"Não é admissível que as plataformas sejam meras espectadoras do desastre que ajudam a provocar. Elas devem ser responsabilizadas civil e objetivamente, como propõe a tese da Advocacia-Geral da União. Este Congresso Nacional também precisa assumir essa responsabilidade histórica. Que não se curve ao lobby das big techs, que não se intimide diante das ameaças externas. E que coloque em votação, com urgência, uma legislação que regule as plataformas, que proteja os brasileiros e fortaleça a nossa democracia."

"Redes sociais vieram para ficar", diz parlamentar da oposição

Na outra ponta do debate, Cleitinho (Republicanos-MG) criticou duramente a retomada do julgamento do Marco Civil da Internet pelo Supremo. Ele destacou que isso acontecerá justamente quando o Congresso estará com atividades suspensas por causa do 11º Fórum Parlamentar do Brics. Para ele, regular as redes sociais é tarefa exclusiva do Legislativo, não do Judiciário.

"Espero que o Congresso Nacional, tanto aqui o Senado quanto os deputados federais, se levantem, se posicionem e não deixem o STF legislar. Na semana que vem, o Congresso Nacional não vai funcionar por causa dos Brics. Essa boca que a gente tem aqui para defender a liberdade de expressão de vocês, estará fechada."

Cleitinho defendeu as redes sociais como ferramentas que deram mais voz à população e fortaleceram a democracia. Ele afirmou que as plataformas ampliaram o debate público e funcionam como um espaço de fiscalização e contraponto à manipulação de informações. Para ele, a regulação colocaria em risco a liberdade de expressão.

"As redes sociais vieram para ficar mesmo. E vou ser contra essa questão da regulamentação das redes sociais, porque estou defendendo aqui a minha liberdade e a sua liberdade."

O senador mineiro ainda apontou que setores do Judiciário e do governo temem as redes porque elas tiram o controle da informação das mãos de poucos e colocam nas mãos da população. Segundo ele, qualquer tentativa de regulação precisa partir do Congresso, que é a "casa do povo", e não do Supremo.

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