Política

Ataque de Lula a Ciro Nogueira empurra Centrão para Flávio

Chamado de 'vira-lata' pelo presidente, senador articula reunião da federação União-PP para dois dias após o primeiro turno para definir apoio

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Iander Porcella
Ciro Nogueira

Ciro Nogueira

Chamado de “vira-lata” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Ciro Nogueira (PI) articula uma reunião da federação União-PP no dia 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições, para definir se o grupo apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto contra o petista.

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Presidente nacional do PP, Nogueira já conversou com o dirigente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, que também preside a federação, para convocar o encontro.

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Para quem o questiona se a neutralidade no segundo turno está descartada, Nogueira responde com um vídeo do momento em que Lula o chamou de “vira-lata” em agenda no Piauí no último dia 9. O senador do PP concorre à reeleição e tem como principais adversários dois aliados do petista: o senador Marcelo Castro (MDB-PI) e o deputado federal Júlio César (PSD-PI).

Depois de ter bancado a neutralidade da federação no primeiro turno, apesar da forte pressão de aliados de Flávio, Nogueira esperava uma espécie de “pacto de não-agressão” com o PT e com Lula na eleição do Piauí. Essa expectativa, contudo, foi frustrada pelo presidente.

Além do ataque de Lula a Nogueira, o crescimento de Flávio nas pesquisas de intenção de voto tem levado o Centrão a considerar apoiá-lo no segundo turno. Os caciques partidários têm observado com atenção o desempenho do senador e o veem como altamente competitivo contra o petista, cenário que não era considerado meses atrás.

Apesar da campanha do PL pelo voto útil no primeiro turno, o Centrão considera que o cenário-base da eleição presidencial ainda é de dois turnos.

No segundo turno, a pressão pela neutralidade que partiu de candidatos do Centrão no Nordeste, onde Lula é popular, deve arrefecer. O próprio Nogueira foi contra apoiar Flávio no primeiro turno porque não faria sentido eleitoralmente. Essa posição foi endossada por outros líderes do partido, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que disputa vaga no Senado em Alagoas.

O Republicanos, que também ficou neutro no primeiro turno, tem uma discussão menos avançada para apoiar Flávio, mas não descarta esse cenário. O presidente do partido, Marcos Pereira, disse à Coluna que até agora “nada está resolvido” e que a discussão interna na sigla ocorrerá “em momento adequado”.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é hoje um dos principais entraves para o apoio do partido a Flávio. Candidato à reeleição na Paraíba e com o objetivo de eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado, Motta tem mergulhado na campanha de Lula. Mas, no segundo turno, com a eleição para o Congresso resolvida, a resistência em endossar o senador do PL também deve perder força.

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