Cidades

Vinho com Gritzbach: investigador preso por corrupção e lavagem era amigo do delator

Apesar da relação entre os dois, policial civil chamava Gritzbach de "Judas"; entenda

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Alan Covas , Derick Toda
23/01/2025, 19:43 • Atualizado em 24/01/2025, 00:54
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Da esquerda para a direita: Antônio Vinícius Gritzbach, Marcelo Ruggieri e Robinso Granger de Moura | Reprodução/PF

Da esquerda para a direita: Antônio Vinícius Gritzbach, Marcelo Ruggieri e Robinso Granger de Moura | Reprodução/PF

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O tenente da Polícia Militar Fernando Genauro da Silva era "amigo de confiança" de Antônio Vinícius Gritzbach, o delator de policiais corruptos e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Genauro foi preso por suspeita de ser o piloto de fuga dos atiradores que executaram o "traidor" da facção, no aeroporto de Guarulhos, em novembro do ano passado.

No entanto, o tenente não era a única autoridade próxima de Gritzbach. O SBT News teve acesso ao inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a quadrilha de policiais civis -que vendiam informações privilegiadas- e integrantes do PCC, que foram delatados.

O grupo, formado por oito pessoas, foi preso em dezembro do ano passado e teve a prisão prorrogada neste mês.

O trabalho de inteligência federal analisou o celular apreendido do investigador Marcelo Roberto Ruggieri, conhecido como "Xará", e flagrou imagens dele bebendo vinho com Gritzbach e com o empresário e integrante do PCC Robinson Granger de Moura, vulgo "Molly".

Da esquerda para a direita: Antônio Vinícius Gritzbach, Marcelo Ruggieri e Robinso Granger de Moura | Reprodução/PF
Da esquerda para a direita: Antônio Vinícius Gritzbach, Marcelo Ruggieri e Robinso Granger de Moura | Reprodução/PF

"Judas" e as moedas; entenda a relação dos dois

A PF descreveu esses encontros como "confraternizações em tom comemorativo". No entanto, apesar disso, em um dos diálogos analisados de "Xará", ele teria se referido a Gritzbach como "Judas", sugundo o inquérito.

Foi o investigador quem apresentou Anselmo Santa Fausta, o "Cara Preta", Rafael Maeda, o "Japa" e Emilio Carlos para Gritzbach. Todos integrantes do PCC.

Marcelo Roberto Ruggieri, vulgo Xará, investigador da Polícia Civil | Reprodução/PF
Marcelo Roberto Ruggieri, vulgo Xará, investigador da Polícia Civil | Reprodução/PF

O delator teria roubado criptomoeadas, prometendo lavar dinheiro ilegal de faccionados, e é acusado de matar "Cara Preta".

Na delação de Gritzbach ao Ministério Público, ele denunciou "Xará" por lavagem de dinheiro na compra de um imóvel de alto padrão na região do Anália Franco, zona leste de São Paulo. "Xará" teria comprado o imóvel de Japa que, mais tarde, teria sido forçado pela facção a cometer suicídio.

Além disso, um dos pontos destacados pela Polícia Federal é a "evidente incompatibilidade existente entre o patrimônio e a movimentação financeira" do policial, que recebe um salário mensal de R$ 7.410 pelo cargo na Polícia Civil.

A PF encontrou comprovantes de pagamento que saíram da conta pessoal dele no valor acumulado de R$ 1,2 milhão - apenas em 2024. Foram localizadas ainda quatro matrículas de venda de imóveis no valor total de R$ 5 milhões, considerando o valor somado entre 2022 e 2024.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, "Xará" usava a função de agente de segurança pública para transitar livremente no alto escalão do PCC. O SBT News tenta localizar a defesa dele. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.

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