Motoristas avançam sinal vermelho por medo de assalto em SP e infrações disparam à noite
Quase 60 mil multas foram registradas na madrugada; insegurança faz condutores ignorarem o semáforo
Simone Queiroz
Majô Gondim
O avanço de sinal vermelho durante a madrugada tem se tornado cada vez mais comum em São Paulo, impulsionado pelo medo de assaltos. Entre janeiro e novembro do ano passado, quase 60 mil infrações foram registradas no período entre meia-noite e 5h59.
Apesar de ser uma infração gravíssima, muitos motoristas admitem que avançam o sinal por medo de se tornarem vítimas de crimes. Parar em cruzamentos durante a noite é visto como um risco, especialmente em áreas com histórico de assaltos.
O Código de Trânsito Brasileiro classifica a infração como gravíssima. Quem avança o sinal recebe sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 293,47.
Mesmo durante a madrugada, radares em semáforos registram a infração 24 horas por dia. Dos quase 60 mil registros no período analisado, mais de 40% aconteceram na madrugada.
Mulheres estão entre os principais alvos de criminosos, o que aumenta a sensação de risco ao parar em semáforos à noite. Motoristas relatam que, diante da escolha entre a multa e a possibilidade de assalto, optam por seguir em frente.
Falha da segurança pública, diz especialista
O presidente da Comissão de Direito do Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB São Paulo, Ademir dos Santos, defende que o número de infrações, com reincidência em alguns cruzamentos, seja um recado às autoridades: trata-se de um ponto que precisa de mais do que radar.
“Deve-se oficiar os órgãos competentes para aumentar o policiamento e a segurança naquele local ou até fazer um estudo para deixar o semáforo no amarelo piscante à noite”, destaca Ademir.
Ainda segundo ele, a solução não pode ser apenas a aplicação de multas.
Entre as medidas sugeridas estão:
- Aumento do policiamento em cruzamentos
- Revisão de pontos críticos da cidade
- Uso de sinal amarelo piscante durante a madrugada
“Infelizmente, a prática é indeferir o recurso e não adotar nenhuma medida para que as coisas mudem realmente. A preocupação geralmente é mais com a arrecadação do que com qualquer outra coisa”, completa Ademir.









