PRF registra mais de mil armas apreendidas por ano em rodovias federais
Pistolas, fuzis e revólveres são transportados por criminosos que usam estradas como principal corredor do crime

Flavia Travassos
Stela Jordy
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreende, em média, uma arma ilegal a cada oito horas nas rodovias do país. Só no ano passado, foram mais de 1,1 mil armamentos retirados de circulação, o que revela a dimensão do tráfico de armas no Brasil.
Segundo a PRF, os armamentos são escondidos em compartimentos secretos de veículos ou até presos ao corpo. As viagens costumam acontecer em horários estratégicos, como madrugadas e finais de semana, para evitar abordagens policiais.
Entre os itens encontrados estão pistolas, revólveres e fuzis de alto poder destrutivo. Segundo Clóvis Araújo, algumas dessas armas têm capacidade de causar grande destruição e aumentar o risco de confrontos com forças de segurança.
"O que os bandidos conseguem com isso? Fazer o confronto com a polícia com o maior poder de fogo. Enquanto as polícias têm calibres que elas podem usar dentro de uma regra legal, os bandidos não obedecem essas regras", destaca Clóvis
Maior parte das armas chegam pelas fronteiras
Grande parte do armamento ilegal chega pelas fronteiras com países como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Depois de entrar no país, o transporte segue principalmente pelas rodovias federais.
As estradas funcionam como corredores logísticos do crime organizado. Uma das rotas mais usadas é a Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e facilita o transporte de armas para grandes centros urbanos.
Segundo Clóvis, o destino é claro: alimentar outros crimes.
" São armas de fogo pesadas e que elas são destinadas ao tráfico de drogas, a ladrões de carros-fortes, esses grupos organizados que praticam crimes de alto potencial agressivo", diz Clóvis.
No último domingo, a PRF apreendeu 16 revólveres e uma pistola de uso restrito na divisa entre São Paulo e Paraná. Duas mulheres foram presas na ação, considerada a maior apreensão do ano até agora.
Combate a esse crime é difícil, diz porta voz da PRF
Segundo a porta-voz da PRF Quezia Viana, o combate a esse tipo de crime é difícil, pois a otimização de abordagens no país inteiro é humanamente impossível.
Por isso, o trabalho depende de inteligência policial e da experiência dos agentes para identificar suspeitos.
"Acaba ficando humanamente impossível fiscalizar todos os veículos. Daí que a gente acaba reforçando essa necessidade de expertise do policial, de saber qual veículo parar, qual horário do dia realizar fiscalização para poder otimizar esse trabalho."









