Irã ameaça enriquecer urânio a 90% caso sofra novos ataques dos EUA
Declaração ocorre em meio a impasse nas negociações pelo fim da guerra


Camila Stucaluc
O regime iraniano disse, nesta terça-feira (12), cogitar a possibilidade de enriquecer urânio em 90% em caso de um novo ataque dos Estados Unidos. A fala ocorreu após Washington recusar a proposta de paz enviada por Teerã e dizer que o cessar-fogo entre os países está “respirando por aparelhos”.
“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Vamos analisar isso no parlamento", disse o porta-voz da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional e Política Externa do Irã, Ebrahim Rezaei.
Oficialmente, o Irã declara possuir cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% – nível considerado superior à demanda para fins civis (20%), como gerar energia. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), caso esse percentual chegue a 90%, o país estaria apto a produzir mais de nove bombas nucleares.
A movimentação frustraria o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que iniciou a guerra contra o Irã por conta do programa nuclear local. O republicano vem pressionando Teerã a limitar ou abandonar o programa, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica — acusação rejeitada pelo regime iraniano.
Impasse nas negociações
A ameaça de Rezaei vem após Trump chamar a proposta de paz de “estúpida”, dizendo que as exigências iranianas são “inaceitáveis”. O presidente norte-americano ainda disse que o cessar-fogo entre os países estava num momento frágil, numa trégua que descreveu como “respirando por aparelhos".
Veja as principais exigências iranianas no acordo de paz:
- compensação pelos danos causados pela guerra;
- soberania sobre o Estreito de Ormuz;
- suspensão do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos;
- garantia de que não haverá mais ataques;
- suspensão das sanções;
- fim da proibição das vendas de petróleo iraniano;
- fim das hostilidades de Israel no Líbano.
A declaração gerou um impasse nas negociações, o que fez Teerã temer novos ataques. Mais cedo, o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que as Forças Armadas estão prontas para retaliar qualquer agressão.
O parlamentar também defendeu a proposta de paz enviada pelo país, dizendo que “não há alternativa a não ser aceitar os direitos do povo iraniano conforme estabelecido no texto de 14 pontos”. “Qualquer outra abordagem será completamente inconclusiva. Quanto mais demorarem, mais os contribuintes americanos pagarão por isso”, frisou.









