Médica investigada por morte em SP já foi alvo de ação
Paciente morreu 24 horas depois de receber 300 ml de PMMA nas nádegas e coxas; médica foi alvo de ação judicial por procedimento semelhante em 2023


Médica Tábata Nunes já foi alvo de ação judicial em caso de aplicação de PMMA | Reprodução redes sociais
A morte de Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, cerca de 24 horas após um procedimento estético com PMMA, em um prédio comercial, no Brooklin, zona sul de São Paulo, colocou a médica Tabita Nunes Marcolino Jorge como alvo de mais uma investigação policial. A profissional, que atendia pacientes em salas alugadas na capital paulista, já havia se envolvido em ao menos outros dois casos semelhantes em Goiás, onde já foi sócia-administradora de uma clínica de estética.
Segundo o boletim de ocorrência do caso registrado em São Paulo, Roseli recebeu 300 ml de PMMA nos glúteos e na parte posterior das coxas. O procedimento foi realizado na segunda-feira (25), em uma sala alugada no Brooklin Office, na Avenida Santo Amaro. Durante a madrugada, Roseli começou a sentir dores, mal-estar e falta de ar. Nesta manhã, ela se dirgiu até o local onde foi atendida para o procedimento, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu antes de ser reavaliada pela médica, ainda na recepção do condomínio.
Em depoimento à Polícia Civil, a médica Tabita afirmou que não possui clínica própria em São Paulo e que alugava espaços para realizar os atendimentos. Disse ainda que atua com procedimentos estéticos há quase seis anos e que não possui residência médica em detmatologia, mas que tem pós-graduação na área.
À polícia, a médica declarou que utiliza o material no próprio corpo e que nunca registrou intercorrências semelhantes em procedimentos anteriores. O caso foi registrado como morte suspeita pela Polícia Civil de São Paulo.
Casos anteriores
Quando ainda fazia parte do quadro societário de uma clínica em Goiás, voltada à saúde integrada, dermatologia e estética avançada, Tábita foi alvo de uma ação judicial devido a um procedimento de aplicação de PMMA nas nádegas malsucedido, em janeiro de 2023.
Segundo documentos obtidos pelo SBT, uma paciente submetida a uma aplicação nos glúteos desenvolveu infecção generalizada após o procedimento.
A defesa da paciente afirma que ela precisou ficar internada por vários dias e passou por intervenções com cortes profundos na região atingida. Hoje, segundo a ação, convive com deformidades permanentes nas nádegas. O processo pede indenização por danos materiais, morais e estéticos e ainda aguarda julgamento.
Na mesma clínica, segundo apuração do SBT com fontes ligadas ao caso, outro procedimento semelhante teria resultado na morte de uma paciente em março deste ano. A Polícia Civil de Goiás investiga o episódio.
Atualmente, Tabita Nunes Marcolino Jorge não aparece mais como sócia da clínica nos registros da Receita Federal.
Outro lado
Em nota, a defesa de Tábita Nunes Marcolino Jorge afirmou que investigação sobre o caso "está em estágio inicial e não há nenhum laudo que comprove relação entre o procedimento estético e o óbito". Ainda de acordo com a nota, a médica apresentou-se voluntariamente no 27º Distrito Policial, prestou depoimento e forneceu os documentos necessários, mantendo-se à total disposição da Polícia Civil.
"A Dra. Tábita expressa a sua profunda solidariedade e sentimentos à família neste momento de dor, reforçando o seu compromisso com a verdade e com a apuração técnica dos fatos", acrescentou a defesa da médica.
A reportagem do SBT News procurou a clínica onde o procedimento foi feito mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Lei nota da médica na íntegra:
"A defesa da Dra. Tábita Nunes Marcolino Jorge, diante das notícias sobre o falecimento da Sra. Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, esclarece os seguintes pontos:
1. O procedimento estético foi realizado na manhã de ontem (25) sem qualquer intercorrência. A paciente permaneceu bem, conversando, deambulando e, inclusive, lanchou no local antes de receber alta sem queixas. Ela esteve acompanhada pela filha, que testemunhou o seu excelente estado clínico pós procedimento. A Sra. Roseli passou o restante do dia e a noite sem apresentar sintomas.
2. Na manhã de hoje (26), ao ser informada sobre um mal-estar, a médica orientou o comparecimento imediato ao consultório, uma vez que a paciente estava consciente, conversando e deambulando sem dificuldades. Ressalta-se que a paciente somente chegou a sofrer um desmaio durante o trajeto do hotel até a clínica, dentro do Uber. Ao dar entrada na recepção do edifício, já desacordada, a Dra. Tábita iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardíaca e acionou o SAMU, esgotando todos os recursos de socorro ao seu alcance.
3. A investigação está em estágio inicial e não há nenhum laudo que comprove relação entre o procedimento estético e o óbito. O registo policial foi feito de forma preventiva para apuração da causa real da morte.
4. A médica apresentou-se voluntariamente no 27º Distrito Policial, prestou depoimento e forneceu os documentos necessários, mantendo-se à total disposição da Polícia Civil.
A Dra. Tábita expressa a sua profunda solidariedade e sentimentos à família neste momento de dor, reforçando o seu compromisso com a verdade e com a apuração técnica dos fatos."















