Justiça bloqueia bens de 19 empresas ligadas a 'Primo', apontado como operador do PCC no setor de combustíveis
Empresário seria peça central de esquema bilionário de fraude, falsificação e lavagem de dinheiro, com participação direta da facção criminosa



Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Um novo bloqueio de bens determinado pela Justiça de São Paulo atingiu dezenove empresas apontadas como peças centrais no suposto esquema criminoso liderado pelo empresário do setor de combustíveis Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo". Foragido, ele foi incluído pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) no mais recente organograma da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão de bloqueio total dos bens é do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. A medida foi solicitada pela Divisão de Crimes contra a Administração e Combate à Corrupção, com parecer favorável do Ministério Público, no âmbito do inquérito que apura os negócios de Mohamad com postos de combustíveis na Baixada Santista, região considerada reduto do PCC.
O bloqueio integra a Operação Octanagem, deflagrada em outubro do ano passado, desdobramento da investigação Carbono Oculto. As duas apurações revelaram um esquema bilionário de fraude, falsificação e lavagem de dinheiro em toda a cadeia do setor de combustíveis, com participação direta da facção criminosa.
Além de Mohamad, outro nome apontado como central no escândalo é o do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ambos estão foragidos e negociam um acordo de delação premiada com promotores de Justiça.
Segundo a polícia, as dezenove empresas bloqueadas teriam sido utilizadas para estruturar o esquema. Mohamad é apontado como o verdadeiro controlador de duas companhias consideradas estratégicas nas fraudes: a Copape Produtos de Petróleo, formuladora de combustíveis, e a Aster Distribuidora. A partir delas, o grupo controlaria ao menos cinquenta postos de combustíveis e outras empresas do setor, formalmente registradas em nome de Mohamad e de sua esposa, Silvana Corrêa.
O novo bloqueio também alcançou a filha do empresário. A quebra de sigilo bancário indicou que R$ 45 milhões usados na compra da Aster teriam sido sacados de uma conta de previdência privada em nome de Silvana, que tinha como beneficiária a filha do casal.
Enquanto seguem foragidos, Mohamad e Beto Louco apresentaram proposta de colaboração às autoridades, mas resistem a ter seus nomes associados ao PCC. A oferta encaminhada ao Ministério Público Federal ainda não teve resposta. Já promotores estaduais demonstraram interesse em avançar nas negociações. De acordo com fontes da inteligência policial, os dois teriam deixado o Brasil e estariam no Peru.
Em nota, a defesa de Mohamad afirmou desconhecer o novo bloqueio de bens e que isso impede qualquer manifestação sobre o caso.
Veja a íntegra da nota:
A defesa de Mohamad Mourad lamenta ter tomado conhecimento, pela imprensa, de decisões cautelares em investigação cujo acesso aos autos vem sendo requerido há meses, sem que até o momento tenha sido disponibilizado.
A ausência de acesso impede qualquer manifestação técnica sobre o caso.
A defesa nega veementemente qualquer envolvimento de Mohamad Mourad com o crime organizado. As ilações feitas a esse respeito não encontram respaldo em fatos.
A defesa permanece à disposição da autoridade policial para os esclarecimentos necessários.
(Conrado de Almeida Prado, sócio do escritório Malheiros Filho, Meggiolaro e Prado)









