Polícia de SP aponta ligação de empresário com facção após transações suspeitas no caso Banco Master
Relatórios indicam que Mohamad Mourad, conhecido como Primo, fez negócios com integrantes da facção e é investigado por lavagem de dinheiro


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
A Polícia Civil de São Paulo identificou indícios de ligação entre Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e o Primeiro Comando da Capital (PCC), com base em transações financeiras consideradas suspeitas.
Os negócios envolvem instituições bancárias investigadas em duas operações. Uma delas era usada nas fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O nome dele aparece no organograma mais recente da facção, divulgada pelo jornalismo do SBT, que reúne cerca de 100 integrantes da cúpula criminosa. Mohamad está foragido desde agosto de 2025, quando foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investigou fraudes bilionárias no setor de combustíveis.
Segundo o Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), ele é classificado como criminoso “associado”, ou seja, teria passado a fazer negócios com o PCC após obter sucesso em atividades ilícitas.
Transações imobiliárias levantaram suspeitas
Relatórios de inteligência, com base na quebra de sigilos fiscais e bancários, apontam operações consideradas típicas de lavagem de dinheiro. Uma delas ocorreu em 29 de julho de 2024 e envolveu a venda de dois terrenos localizados na Represa de Jurumirim, em Avaré, no interior de São Paulo.
O valor da negociação foi de R$ 2,93 milhões. Os terrenos foram vendidos pela empresa Insight Participações, ligada a um primo de Mohamad, ao Arion Fundo de Investimento Imobiliário.
Segundo a investigação, a transação foi analisada com “especial atenção” porque o imóvel é utilizado por uma parente de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, foragido e apontado como integrante da chamada máfia dos combustíveis ligada ao PCC.
Bancos investigados aparecem em operação financeira
O pagamento foi feito em parcela única, com recursos transferidos de uma conta do Banco Trustee, instituição que está sob investigação e pode ser extinta pelo Banco Central após suspeitas relacionadas ao escândalo do Banco Master.
O valor foi recebido pelo BK Banking, outra instituição financeira investigada na Operação Carbono Oculto, com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo.
As duas instituições são citadas em investigações que apuram esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo empresas e organizações criminosas.
Mesmo foragido há mais de seis meses, Mohamad negocia, por meio de advogados, um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo.
Segundo informações obtidas pela investigação, ele teria oferecido colaborar com uma lista de agentes públicos e políticos envolvidos em esquemas ilegais. Em troca, busca evitar a vinculação direta ao PCC.
Investigadores, no entanto, afirmam que os relatórios de inteligência já apresentam evidências suficientes que indicariam a ligação entre o investigado e a facção criminosa.
Colaborou Antonio Souza









