Cidades

Exclusivo: Polícia de SP revela organograma de organização criminosa com 100 líderes

Relatório mostra estrutura com presos ainda ativos e setores responsáveis por finanças, comunicação e decisões estratégicas

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
12/02/2026, 23:24 • Atualizado em 13/02/2026, 01:35
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A Polícia Civil de São Paulo identificou 100 integrantes que ocupam cargos de liderança no Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência.

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O levantamento inclui criminosos presos e foragidos que continuam exercendo funções de comando dentro da facção. Do total, 61 estão presos, mas seguem ativos na organização criminosa, segundo as investigações.

Mesmo isolado na Penitenciária Federal de Brasília, considerada a mais segura do país, Marcos Williams Herbas Camacho, conhecido como "Marcola", permanece como líder máximo da facção.

Segundo o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian, o objetivo do organograma é enfraquecer o grupo.

“Nossa função é sempre quebrar essa cadeia criminosa com asfixia financeira. Já que estão presos, podem estar cometendo crimes de dentro das penitenciárias”, afirmou.

O relatório aponta mudanças importantes no alto comando, conhecido como Sintonia Final. Antigos integrantes da cúpula foram removidos e passaram a integrar o grupo chamado de “decretados”, formado por membros jurados de morte.

Entre eles estão:*

  • Abel Pacheco, o "Vida Loka" .
  • Daniel Vinícius Canônico, o "Cego"
  • Roberto Soriano, o "Tiriça"
  • Valdeci Alves dos Santos, o "Colorido"
  • Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho"

Segundo a Polícia Civil, esses integrantes acusaram Marcola de responsabilizar Roberto Soriano pela ordem de assassinato de um agente penitenciário federal no Paraná. Após o episódio, eles perderam espaço na facção e passaram a correr risco de morte.

Como funciona a estrutura do PCC?

Os integrantes do PCC são organizados em setores chamados de “sintonias”, que possuem funções específicas dentro da organização.

Entre os principais setores estão:

  • Sintonia do sistema penitenciário: coordena ações dentro das prisões;
  • Sintonia das ruas: gerencia atividades criminosas fora do sistema prisional;
  • Sintonia internacional: ligada ao tráfico de drogas e rotas no exterior;
  • Sintonia da Baixada Santista: associada ao Porto de Santos, ponto estratégico para o tráfico;
  • Sintonia da Internet: responsável pela comunicação criptografada e monitoramento das redes sociais;
  • Sintonia dos advogados: coordena estratégias jurídicas da facção.

A chamada Sintonia dos 14, considerada uma elite dentro do PCC, é responsável por decisões estratégicas e disciplinares.

Quem cuida do dinheiro e da fiscalização do PCC?

O organograma também detalha setores internos responsáveis pela gestão financeira e controle da organização.

O setor conhecido como “Padaria” é responsável pela parte financeira e logística, incluindo lavagem de dinheiro. Já o setor chamado de “Raio X” atua como uma auditoria interna, monitorando o comportamento dos integrantes.

Segundo a Polícia Civil, cerca de R$ 21,5 bilhões ligados ao crime organizado estão sendo analisados em investigações financeiras.

O relatório também aponta criminosos considerados associados, que não integram formalmente o PCC, mas mantêm negócios com a facção.

Entre eles está Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, investigado por lavagem de dinheiro e atualmente foragido. Outro nome citado é o chileno Mauricio Hernandez Norambuena, condenado pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto e considerado um dos mentores estratégicos da organização.

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