Cidades

Exclusivo: Polícia de SP revela organograma de organização criminosa com 100 líderes

Relatório mostra estrutura com presos ainda ativos e setores responsáveis por finanças, comunicação e decisões estratégicas

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula

A Polícia Civil de São Paulo identificou 100 integrantes que ocupam cargos de liderança no Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência.

O levantamento inclui criminosos presos e foragidos que continuam exercendo funções de comando dentro da facção. Do total, 61 estão presos, mas seguem ativos na organização criminosa, segundo as investigações.

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Mesmo isolado na Penitenciária Federal de Brasília, considerada a mais segura do país, Marcos Williams Herbas Camacho, conhecido como "Marcola", permanece como líder máximo da facção.

Segundo o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian, o objetivo do organograma é enfraquecer o grupo.

“Nossa função é sempre quebrar essa cadeia criminosa com asfixia financeira. Já que estão presos, podem estar cometendo crimes de dentro das penitenciárias”, afirmou.

O relatório aponta mudanças importantes no alto comando, conhecido como Sintonia Final. Antigos integrantes da cúpula foram removidos e passaram a integrar o grupo chamado de “decretados”, formado por membros jurados de morte.

Entre eles estão:*

  • Abel Pacheco, o "Vida Loka" .
  • Daniel Vinícius Canônico, o "Cego"
  • Roberto Soriano, o "Tiriça"
  • Valdeci Alves dos Santos, o "Colorido"
  • Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho"

Segundo a Polícia Civil, esses integrantes acusaram Marcola de responsabilizar Roberto Soriano pela ordem de assassinato de um agente penitenciário federal no Paraná. Após o episódio, eles perderam espaço na facção e passaram a correr risco de morte.

Como funciona a estrutura do PCC?

Os integrantes do PCC são organizados em setores chamados de “sintonias”, que possuem funções específicas dentro da organização.

Entre os principais setores estão:

  • Sintonia do sistema penitenciário: coordena ações dentro das prisões;
  • Sintonia das ruas: gerencia atividades criminosas fora do sistema prisional;
  • Sintonia internacional: ligada ao tráfico de drogas e rotas no exterior;
  • Sintonia da Baixada Santista: associada ao Porto de Santos, ponto estratégico para o tráfico;
  • Sintonia da Internet: responsável pela comunicação criptografada e monitoramento das redes sociais;
  • Sintonia dos advogados: coordena estratégias jurídicas da facção.

A chamada Sintonia dos 14, considerada uma elite dentro do PCC, é responsável por decisões estratégicas e disciplinares.

Quem cuida do dinheiro e da fiscalização do PCC?

O organograma também detalha setores internos responsáveis pela gestão financeira e controle da organização.

O setor conhecido como “Padaria” é responsável pela parte financeira e logística, incluindo lavagem de dinheiro. Já o setor chamado de “Raio X” atua como uma auditoria interna, monitorando o comportamento dos integrantes.

Segundo a Polícia Civil, cerca de R$ 21,5 bilhões ligados ao crime organizado estão sendo analisados em investigações financeiras.

O relatório também aponta criminosos considerados associados, que não integram formalmente o PCC, mas mantêm negócios com a facção.

Entre eles está Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, investigado por lavagem de dinheiro e atualmente foragido. Outro nome citado é o chileno Mauricio Hernandez Norambuena, condenado pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto e considerado um dos mentores estratégicos da organização.

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