Cidades

Morte em piscina: donos de academia tentam culpar manobrista por excesso de cloro, diz delegado

Segundo a polícia, proprietários da G4 Gym responsabilizaram o funcionário por manipulação dos produtos químicos que intoxicaram vítimas

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Agência SBT
12/02/2026, 22:38 • Atualizado em 13/02/2026, 01:59
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Os proprietários da academia G4 Gym tentaram atribuir ao manobrista Severino José da Silva a responsabilidade pela intoxicação causada pelo uso excessivo de cloro na piscina do estabelecimento, disse o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, nesta quinta-feira (12).

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A polícia concluiu que o excesso da substância causou a morte de Juliana Faustino, de 28 anos, e deixou outras sete pessoas intoxicadas após uma aula de natação no local.

Segundo o delegado, os três sócio-proprietários - Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração - prestaram depoimento juntos e apresentaram poucas informações relevantes. Eles se concentraram em responsabilizar o funcionário que manipulava os produtos químicos. Os três foram presos preventivamente nesta quarta-feira (11).

Em depoimento, Severino afirmou que não despejava diretamente os produtos na piscina. Segundo ele, realizava a mistura, fotografava e enviava o registro ao sócio Celso Bertolo Cruz, que orientava sobre o procedimento.

O funcionário contou ainda que não utilizava medidas técnicas precisas e preparava a mistura no chamado “olhômetro”. Após o preparo, o líquido era levado até a piscina e aplicado ao final das aulas.

Severino afirmou também que não possui formação técnica para realizar esse tipo de manutenção, mas seguia orientações repassadas pelos proprietários da academia.

Polícia aponta negligência na manutenção da piscina

De acordo com o delegado Alexandre, o depoimento revelou falhas graves nos protocolos de segurança da academia. O sócio Celso Bertolo Cruz afirmou que possui certificação técnica desde 2023 e que treinava funcionários, incluindo manobristas, para realizar o manuseio dos produtos químicos.

Para a polícia, as informações indicam possível negligência na administração e controle do tratamento da água da piscina.

O caso

A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 28 anos após ela passar mal ao nadar na piscina da academia G4 Gym no bairro Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.

De acordo com o boletim de ocorrência, Juliana Faustino, de 28 anos, realizava uma aula de natação com o marido, Vinícius de Oliveira, quando os dois perceberam odor e gosto anormais na água. Pouco tempo depois, ambos começaram a passar mal e comunicaram o professor responsável.

Com a piora dos sintomas, o casal foi socorrido e levado ao Hospital Santa Helena, em Santo André. No local, Juliana sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. Vinícius foi transferido para a UTI do Hospital Brasil, que fica a pouco mais de um quilômetro da unidade onde recebeu o primeiro atendimento, e permanece em estado crítico.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), na manhã do dia 8 de fevereiro, um homem procurou a polícia após o filho, de 14 anos, também apresentar sintomas depois de utilizar a mesma piscina. O estado de saúde do menor não foi divulgado.

Ao todo, sete vítimas já foram identificadas. Entre elas está uma criança de 5 anos, que passou mal após participar de uma aula de natação no local. Ela começou a apresentar quadros de crise no sistema respiratório depois de iniciar a atividade no local. O estado de saúde do menor não foi divulgado.

Entre as vítimas, três continualm hospitalizadas. Além da criança, estão internados o marido de Juliana, Vinícius de Oliveira e um adolescente de 14 anos. Um homem e uma mulher, ambos de 37 anos, também foram hospitalizados, mas já receberam alta.

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