O número de mortes em Gaza em 15 meses de guerra é 50% superior ao relatado, revela estudo
Publicado pela The Lancet Global Health, estudo estima 75 mil mortos no período


Leonardo Almeida
Durante os 15 primeiros meses de guerra, cerca de 75 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza, número 50% superior ao contabilizado pelas autoridades locais, segundo o estudo da revista médica The Lancet Global Health.
A pesquisa indica possível subnotificação no número de mortes. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 50 mil morreram no mesmo período.
Os dados também revelam que mulheres, crianças e idosos representam 42.200 das vítimas, cerca de 56,2% das mortes violentas, proporção que coincide com os relatórios do Ministério da Saúde de Gaza.
“As evidências combinadas sugerem que, em 5 de janeiro de 2025, 3% a 4% da população da Faixa de Gaza havia sido morta violentamente e houve um número substancial de mortes não violentas causadas indiretamente pelo conflito”, escreveram os autores.
O levantamento é o primeiro estudo independente sobre a mortalidade na Faixa de Gaza. A pesquisa envolveu 2 mil famílias palestinas.
O trabalho de campo foi conduzido pelo Centro Palestino de Pesquisa Política e Pesquisas, dirigido pelo pesquisador palestino Khalil Shikaki, que realiza pesquisas de opinião pública na Cisjordânia e em Gaza há décadas. O autor principal é Michael Spagat, professor da Royal Holloway, Universidade de Londres.
O número de mortes desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, segundo as autoridades de saúde de Gaza, é de 72 mil pessoas. Autoridades palestinas estimam que outras milhares de pessoas mortas não foram contabilizadas, pois estão sob edifícios destruídos.









