Polícia

Advogados de suspeitos que denunciaram propina a policiais em SP dizem sofrer ameaças

Defesa de irmãos presos com 148 kg de cocaína afirma ter recebido ameaças após troca de advogado; Justiça decretou sigilo no processo

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Advogados que assumiram a defesa de dois irmãos acusados de tráfico de drogas afirmam ter recebido ameaças após a exibição, pelo SBT Brasil, de uma denúncia sobre uma suposta tentativa de extorsão envolvendo o caso.

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Segundo relatos apresentados durante audiência judicial, o advogado Cláudio Freiria, que atuava na defesa dos irmãos, teria intimidado colegas de profissão após deixar o caso.

Os advogados que passaram a atuar no processo afirmam ter recebido ligações e mensagens com ameaças. Um dos profissionais relatou ter recebido uma ligação de um número desconhecido, na qual foi pressionado a desistir de processos no estado.

Outra advogada envolvida também demonstrou medo após os contatos e chegou a cogitar renunciar à defesa.

Diante das denúncias e das ameaças relatadas, a Justiça determinou sigilo no processo, restringindo o acesso apenas aos advogados que atuam diretamente no caso.

Um dos profissionais registrou boletim de ocorrência relatando as ameaças.

Procurada pela reportagem, uma das advogadas citadas preferiu não conceder entrevista.

Entenda o caso

No início de março, um delegado foi flagrado dirigindo um carro de luxo apreendido durante operação no ABC Paulista que resultou na prisão de cinco suspeitos.

Segundo denúncia da família de um dos investigados, o veículo teria sido oferecido como propina a policiais para encerrar a investigação.

O carro, avaliado em cerca de R$ 200 mil, foi apreendido em novembro do ano passado na operação. Entre os presos estavam os irmãos Daniel Ferreira Pereira e Jefferson Ferreira Pereira.

À época, os investigados eram defendidos pelo advogado Cláudio Freiria, que foi filmado conversando com dois investigadores em um posto de combustíveis. Na ocasião, ele ainda atuava no caso.

De acordo com a família, os policiais que apareciam nas imagens teriam cobrado R$ 150 mil para encerrar a investigação. Ainda segundo a denúncia, Freiria teria participado das negociações sobre a divisão do valor.

Conforme a representação apresentada à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, a família decidiu não pagar a quantia e levou o caso às autoridades.

A apuração também indica que Freiria trabalhou anteriormente na mesma delegacia que o delegado e os investigadores citados.

Pela decisão judicial, o veículo deveria ser utilizado exclusivamente em atividades de investigação ou repressão a crimes. No entanto, segundo depoimento de Jefferson Ferreira, o carro vinha sendo usado para fins particulares pelo delegado.

O caso é investigado pela Corregedoria, que analisa as provas apresentadas e apura possível uso irregular de bem apreendido.

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