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Professora vê risco de violência após eleição na Colômbia

Especialista avalia que disputa acirrada pode alimentar conflitos e guerra de narrativas antes da confirmação oficial do resultado

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A divulgação dos resultados preliminares do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia aumentou a preocupação com possíveis episódios de violência e contestação política nos próximos dias. Apesar de a tendência ser de confirmação do resultado pelas autoridades eleitorais, especialistas alertam para os riscos decorrentes da forte polarização que marcou a disputa.

Segundo a advogada especialista em direito internacional Renata Alvares Gaspar, diretora acadêmica da Escola de Altos Estudos em Direito e Relações Internacionais (Edrin), a diferença apertada entre os candidatos e o ambiente de divisão política elevam o receio de confrontos e da disseminação de narrativas conflitantes sobre a legitimidade do pleito.

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"O medo é da violência que pode surgir nesses um ou dois dias entre a pré-contagem e a divulgação do resultado oficial. Em um cenário de polarização tão grande, existe o risco de uma guerra de narrativas", afirmou Renata durante participação no News Noite 2ª Edição deste domingo (21).

Para a especialista, a expectativa é de que o resultado preliminar seja ratificado pelas autoridades eleitorais, já que historicamente a pré-contagem costuma ser confirmado na contagem oficial. Ainda assim, ele ressalta que o período de espera exige atenção das instituições.

O que esperar do presidente eleito?

Caso a vitória seja confirmada, o novo governo deverá adotar uma agenda centrada na segurança pública e no desenvolvimento econômico. De acordo com Renata, a campanha foi construída em torno de propostas de endurecimento no combate à criminalidade, além de medidas voltadas ao livre mercado e ao incentivo ao empreendedorismo.

"O foco deve ser a segurança e o crescimento econômico. Não é um governo cuja prioridade sejam as pautas sociais ou as políticas voltadas a grupos vulneráveis", avaliou.

Apoio de Trump pode influenciar o cenário?

A especialista também comentou o apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato apontado como vencedor. Segundo ele, Washington tem ampliado sua atenção à América Latina e tende a respaldar aliados políticos na região.

Apesar disso, Renata avalia que uma eventual participação mais direta dos EUA no cenário colombiano não deve ocorrer de imediato. Ela destacou que o presidente Gustavo Petro adotou um discurso conciliador após o encerramento da votação, defendendo respeito às instituições e unidade nacional independentemente do vencedor.

"O que se espera é que a institucionalidade se imponha e que a disputa eleitoral termine com a proclamação do resultado oficial, permitindo que o presidente eleito governe", afirmou.

Há risco de intervenção dos Estados Unidos?

Na avaliação do cientista político, existe a possibilidade de interferência indireta dos EUA em determinadas circunstâncias, especialmente por meio da cooperação no combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro.

Ela lembra que a Colômbia mantém acordos de extradição com os EUA, o que amplia a capacidade de atuação conjunta entre os dois países em investigações relacionadas ao crime organizado. Ainda assim, o especialista considera improvável que esse tipo de mecanismo seja acionado imediatamente em razão do resultado eleitoral.

Para Renata, o principal desafio da democracia colombiana nos próximos dias será garantir que o resultado proclamado pelas autoridades seja respeitado e aceito pelos diferentes setores políticos, reduzindo o risco de instabilidade e fortalecendo as instituições do país.

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