Polícia

Exclusivo: policiais civis são acusados de receber propina para encerrar investigação em SP

Família de suspeitos denuncia uso irregular de veículo de luxo e afirma que policiais teriam pedido propina para encerrar investigação

Um delegado da Policia Civil de São Paulo é investigado por supostamente utilizar um carro de luxo apreendido em uma operação contra o tráfico de drogas para fins pessoais.

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Segundo denúncia da família de um dos suspeitos presos na ação, o veículo poderia ter sido oferecido como propina a policiais para encerrar a investigação.

O caso ocorreu em Diadema, na Grande São Paulo. O automóvel, avaliado em cerca de R$ 200 mil, foi apreendido em novembro do ano passado durante uma operação que resultou na prisão de suspeitos ligados ao tráfico de drogas.

Na ação da Polícia Civil, mais de 100 quilos de drogas foram apreendidos e cinco suspeitos foram presos. Entre eles estavam Daniel Ferreira Pereira e Jefferson Ferreira Pereira. O primeiro é apontado como o dono do veículo, embora o carro esteja registrado no nome do pai.

Familiares afirmam que policiais teriam pedido dinheiro para não dar continuidade à investigação.

Vídeo mostra encontro entre policiais e advogado

Um vídeo gravado por um parente de Daniel mostra três homens conversando em uma loja de conveniência em um posto de combustíveis na zona sul de São Paulo.

Nas imagens aparecem o investigador Éder Donizete Rosa, o policial civil Fernando Antônio Pereira e o advogado responsável pela defesa dos irmãos Daniel e Jefferson Ferreira Pereira, presos na operação.

Segundo a família, o advogado teria sido indicado por outros dois investigadores, Murilo Muniz e Allan Fernandes Dias, que já foram presos anteriormente por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O parente que gravou as imagens afirma que os policiais cobraram R$ 150 mil para encerrar a investigação.

“O advogado veio, conversou com a gente e falou que esse era o valor pedido para não dar continuidade na investigação", diz o parente que não quis se identificar.

A família afirma que não pagou o valor solicitado e denunciou a suposta extorsão à corregedoria. O crime de extorsão pode prever pena de quatro a dez anos de prisão.

Delegado teria usado carro apreendido para fins pessoais

Além da denúncia de propina, familiares também afirmam que o veículo apreendido vinha sendo usado pelo delegado Joao Claudio Pereira Paes para uso particular.

Na decisão judicial que autorizou a utilização do carro, a juíza determinou que o automóvel deveria ser usado exclusivamente em atividades de investigação ou repressão a crimes.

Segundo a família, o sistema de rastreamento do veículo mostra que o delegado teria circulado por endereços sem relação com operações policiais.

Um dos registros indica que o carro teria passado a noite na rua onde o agente público mora.

Outro vídeo gravado por familiares mostra o veículo estacionado em frente a um restaurante em um bairro nobre da capital paulista.

As provas reunidas pela família foram entregues à Corregedoria da Polícia Civil, que abriu investigação para apurar possível uso irregular de bem apreendido e denúncia de extorsão.

Em nota enviada ao SBT, a Secretaria da Segurança Pública informou que não compactua com desvios de conduta e confirmou que o caso está sendo analisado pela corregedoria.

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