Armas feitas em impressoras 3D viram desafio para a polícia no Brasil
Artefatos podem ser montados em casa com peças simples e sem numeração, dificultando rastreamento e investigação policial
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Juliana Tourinho
Armas produzidas com impressoras 3D estão se tornando um novo desafio para autoridades de segurança pública no Brasil. Com potencial destrutivo semelhante ao de armamentos convencionais, esses artefatos podem ser fabricados em casa a partir de peças de fácil acesso, muitas vezes seguindo tutoriais disponíveis na internet.
Vídeos e manuais ensinam o passo a passo para produzir componentes que, depois de montados, formam pistolas, carregadores e até partes de fuzis.
Como muitas dessas peças são feitas com materiais como resina ou fibra de carbono, elas podem até driblar equipamentos de segurança, como detectores de metal.
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Outro problema é a dificuldade de rastreamento. Diferentemente das armas fabricadas pela indústria, esses armamentos não possuem numeração de identificação, o que complica o trabalho das autoridades durante investigações.
Armas sem controle e sem rastreamento
Segundo o comandante da Polícia Militar, coronel Cleótheos Sabino, o fato de serem produzidas de forma caseira dificulta qualquer controle sobre a circulação dessas armas.
“Como ela é produzida de forma caseira, sem numeração e sem controle, fica difícil saber a quantidade que foi fabricada ou os locais para onde foi enviada. E como o material sofre desgaste, muitas vezes ela é descartada após o uso, dificultando identificar qual arma foi usada no crime”, explicou.
As investigações apontaram que o grupo utilizava a internet para divulgar projetos digitais e comercializar os componentes, enviados pelos Correios.
Cinco pessoas foram presas, entre elas Lucas Queiroz, apontado como líder do esquema e detido no interior de São Paulo. De acordo com a polícia, ele teria capacidade de produzir cerca de 1.500 fuzis por ano a partir de projetos desenvolvidos pelo próprio grupo.
Produção ilegal é crime no Brasil
Apesar da tecnologia utilizada, a legislação brasileira estabelece que fabricar, possuir ou portar armas sem autorização é crime, independentemente do material utilizado na produção.
Segundo Evandro Capano, especialista em Direito Penal, qualquer artefato com potencial letal pode ser considerado armamento.
“Todo utensílio fabricado para aumentar a ofensividade humana é considerado armamento. Se um artefato tem capacidade letal, ele se enquadra como arma”, explicou
Além da ameaça à segurança pública, especialistas alertam que esse tipo de armamento improvisado também pode representar perigo para quem tenta utilizá-lo.
Como muitas peças são feitas com materiais plásticos, existe o risco de falhas ou até explosões durante o disparo.
“Essa arma pode apresentar um incidente de tiro e até explodir no rosto de quem usa. Ou seja, ela é duplamente perigosa: para a sociedade e para o próprio usuário”, concluiu Capano.
Armas feitas em impressoras 3D viram desafio para a polícia no BrasilArtefatos podem ser montados em casa com peças simples e sem numeração, dificultando rastreamento e investigação policialCidades2026-03-17T00:35:14.385ZArmas produzidas com impressoras 3D estão se tornando um novo desafio para autoridades de segurança pública no Brasil. Com potencial destrutivo semelhante ao de armamentos convencionais, esses artefatos podem ser fabricados em casa a partir de peças de fácil acesso, muitas vezes seguindo tutoriais disponíveis na internet. Vídeos e manuais ensinam o passo a passo para produzir componentes que, depois de montados, formam pistolas, carregadores e até partes de fuzis. Como muitas dessas peças são feitas com materiais como resina ou fibra de carbono, elas podem até driblar equipamentos de segurança, como detectores de metal. Outro problema é a dificuldade de rastreamento. Diferentemente das armas fabricadas pela indústria, esses armamentos não possuem numeração de identificação, o que complica o trabalho das autoridades durante investigações. Armas sem controle e sem rastreamento Segundo o comandante da Polícia Militar, coronel Cleótheos Sabino, o fato de serem produzidas de forma caseira dificulta qualquer controle sobre a circulação dessas armas. “Como ela é produzida de forma caseira, sem numeração e sem controle, fica difícil saber a quantidade que foi fabricada ou os locais para onde foi enviada. E como o material sofre desgaste, muitas vezes ela é descartada após o uso, dificultando identificar qual arma foi usada no crime”, explicou. Na semana passada, uma suspeita de fabricar e vender armas e acessórios impressos em 3D. As investigações apontaram que o grupo utilizava a internet para divulgar projetos digitais e comercializar os componentes, enviados pelos Correios. Cinco pessoas foram presas, entre elas Lucas Queiroz, apontado como líder do esquema e detido no interior de São Paulo. De acordo com a polícia, ele teria capacidade de produzir cerca de 1.500 fuzis por ano a partir de projetos desenvolvidos pelo próprio grupo. Produção ilegal é crime no Brasil Apesar da tecnologia utilizada, a legislação brasileira estabelece que fabricar, possuir ou portar armas sem autorização é crime, independentemente do material utilizado na produção. Segundo Evandro Capano, especialista em Direito Penal, qualquer artefato com potencial letal pode ser considerado armamento. “Todo utensílio fabricado para aumentar a ofensividade humana é considerado armamento. Se um artefato tem capacidade letal, ele se enquadra como arma”, explicou Além da ameaça à segurança pública, especialistas alertam que esse tipo de armamento improvisado também pode representar perigo para quem tenta utilizá-lo. Como muitas peças são feitas com materiais plásticos, existe o risco de falhas ou até explosões durante o disparo. “Essa arma pode apresentar um incidente de tiro e até explodir no rosto de quem usa. Ou seja, ela é duplamente perigosa: para a sociedade e para o próprio usuário”, concluiu Capano. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/armas-feitas-em-impressoras-3-d-viram-desafio-para-a-policia-no-brasil
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