Advogado suspeito de intermediar propina foi expulso da polícia em caso ligado a megatraficante colombiano
Ex-policial civil aparece em vídeo com investigadores supostamente negociando propina de R$ 150 mil para encerrar investigação


Flavia Travassos
Marcos Guedes
Em 2006, o então policial civil Cláudio Batista da Freiria foi denunciado por participar do sequestro de Henry Edval Lagos, conhecido como Patcho, criminoso ligado ao narcotraficante colombiano Juan Carlos Abadía. Segundo as investigações da época, o objetivo era extorquir dinheiro do traficante.
O caso levou à prisão de Freiria e, anos depois, à expulsão dele da Polícia Civil. Hoje advogado, ele volta a aparecer em uma investigação envolvendo suspeita de extorsão.
Cláudio Freiria foi filmado conversando com dois investigadores em um posto de combustíveis. No momento do encontro, ele atuava como advogado dos irmãos Daniel e Jefferson Ferreira Pereira, presos durante uma operação contra o tráfico de drogas.
A família dos suspeitos afirma que os policiais cobraram R$ 150 mil para suspender as investigações e que o advogado participava da negociação sobre como o dinheiro seria dividido.
“Eu acho uma injustiça isso aí. Os policiais, por serem autoridades, acham que podem fazer tudo”, diz um familiar.
Segundo a denúncia apresentada à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, a família decidiu não pagar a propina e levou o caso às autoridades.
A apuração também revelou que Freiria trabalhou no passado na mesma delegacia que os investigadores citados na denúncia.
Para o advogado criminalista e ex-procurador do Ministério Público de São Paulo, Roberto Tardelli, se confirmada a participação do advogado no esquema, ele pode responder nas esferas criminal e civil.
“A gente tem que entender que a pessoa que vive da propina é um predador. Ele sabe onde tem água, onde tem alimento. Toda vez que sentir sede e fome, vai buscar. Nunca mais se livra disso.”
Procurado pela reportagem, Cláudio Freiria afirmou que não foi oficialmente intimado sobre investigação relacionada ao caso e disse não ter conhecimento dos fatos. Ele se recusou a gravar entrevista.
A Ordem dos Advogados do Brasil não se manifestou. Já a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que não compactua com desvios de conduta e que a Corregedoria da Polícia Civil apura os fatos.
A reportagem também procurou a defesa dos investigadores citados, mas não recebeu resposta até o momento.









