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Deolane reclama de calor e comida, mas juiz nega domiciliar

Juiz entendeu que advogada está em ala especial compatível com as prerrogativas da profissão e rejeitou transferência para Sala de Estado-Maior

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SBT News
10/06/2026, 23:27 • Atualizado em 10/06/2026, 23:39
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Deolane reclama de calor e comida, mas juiz nega domiciliar

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A Justiça de São Paulo negou pedido da advogada e influenciadora Deolane Bezerra para ser transferida para uma Sala de Estado-Maior ou ter a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar. A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau, no âmbito da Operação Vérnix.

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Deolane está presa preventivamente desde maio de 2026 e foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por supostos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

🔍A Sala de Estado-Maior é uma prerrogativa prevista para advogados regularmente inscritos na OAB que estejam presos preventivamente ou temporariamente, antes do trânsito em julgado de eventual condenação. Nesses casos, o profissional deve permanecer em local distinto das celas comuns, sem grades e com condições compatíveis com a dignidade da função exercida.

O que a defesa alega

Os advogados argumentaram que o Complexo Penal de Tupi Paulista, onde Deolane está presa, não possui condições compatíveis com uma Sala de Estado-Maior.

Segundo a defesa, uma vistoria apontou problemas como calor excessivo, ventilação inadequada, alimentação imprópria, restrições a itens de higiene pessoal e dificuldades de contato direto com os defensores.

A defesa também relatou que Deolane sofre de problemas de saúde mental, incluindo síndrome do pânico, uso de medicamentos controlados, episódios de queda de pressão e tontura.

Os advogados ainda citaram supostas situações de insalubridade, como infestação de escorpiões, odor forte de tinta após reformas e necessidade de atendimento médico na enfermaria da unidade.

Penitenciária nega acusações

Em manifestação enviada ao MPSP, a direção da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista afirmou que Deolane está custodiada em um pavilhão separado das demais detentas e ocupa uma cela individual.

Segundo a administração, o espaço conta com cama, mesa, cadeira, banheiro privativo com chuveiro elétrico, ventilador, televisão, água gelada e acesso diário ao banho de sol.

A unidade também informou que as presas da ala especial têm acesso a visitas em ambiente reservado, atividades religiosas, esportivas e recreativas, além de receber kits de higiene pessoal e produtos de limpeza.

Por que a Justiça negou o pedido?

Na decisão, o magistrado entendeu que Deolane já está recolhida em um espaço destinado a atender as prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia.

Segundo o juiz, documentos da administração penitenciária e relatórios de inspeção demonstram que a investigada permanece em cela especial, separada das demais presas.

"Deolane se encontra em cela especial, apartada das demais presas da unidade prisional. Assim, não há irregularidades no local onde está se encontra. A propósito, inexiste na lei um conceito de Sala de Estado Maior, de modo que se exige minimamente que se trate de um ambiente separado e dotado de condições minimamente razoáveis", diz trecho da decisão.

O juiz também destacou que não existe uma definição legal específica para Sala de Estado-Maior. De acordo com o entendimento adotado, basta que o ambiente seja separado dos demais detentos e ofereça condições adequadas de acomodação.

Denúncia

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou Deolane Bezerra à Justiça por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Para os promotores do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP, Deolane é uma espécie de 'caixa' do PCC.

Foram denunciados por lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de Deolane Bezerra: Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, os sobrinhos de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que estão foragidos, o operador da lavagem de dinheiro e Everton de Souza, conhecido como Player ou Gordão. Os promotores querem a condenação de todos a uma pena que vai de 7 a 24 anos de prisão.

Defesa de Deolane nega acusações

Em nota, a defesa de Deolane lamentou a denúncia e afirma que ainda não tiveram acesso à denúncia do MPSP.

A defesa reafirmou que a cliente não integra organização criminosa nem cometeu crimes e que a inocência será provada ao longo do processo.

Veja a nota na íntegra:

"A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Ir., Josimary Rocha, Rogerio Nunes e Luiz Ricardo Imparato, lamenta a divulgação antecipada da denúncia na imprensa. A defesa ainda não teve acesso a acusação e tão logo for citada, apresentará a devida resposta, reafirmando que Deolane não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo."

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