Cidades

Caso Marielle: em depoimento, Ronnie Lessa diz que poderia ganhar R$ 100 milhões com assassinato

Ex-policial militar afirmou ainda que o ex-deputado federal Marcelo Freixo era alvo dos mandantes do crime antes da vereadora

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Liane Borges
27/05/2024, 23:36 • Atualizado em 27/05/2024, 23:36
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Caso Marielle Franco

Caso Marielle Franco

O depoimento do ex-policial militar Ronnie Lessa à Polícia Federal revelou detalhes chocantes sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Lessa afirmou que o crime estava vinculado a uma oferta milionária de R$ 100 milhões, valor que seria obtido com a exploração de dois loteamentos em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro.

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"Era muito dinheiro envolvido... Na época, ele falou em R$ 100 milhões, que, realmente, as contas batem. R$ 100 milhões [era] o lucro dos dois loteamentos", disse Ronnie Lessa em seu depoimento, que durou duas horas e foi revelado pela TV Globo.

Dinheiro e poder no centro do crime

O ex-policial declarou que a oferta veio de Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e de seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ). Em troca do assassinato de Marielle Franco, Lessa esperava estabelecer uma nova milícia nos loteamentos. "A questão valiosa, ali, é o quê? É depois, é a manutenção da milícia, porque a manutenção da milícia vai trazer voto", afirmou.

Segundo Lessa, a vereadora do PSOL era vista como um obstáculo, pois se opunha a projetos relacionados à ocupação das terras na Câmara Municipal carioca. "A Marielle foi colocada, assim, como uma pedra no caminho", declarou.

Utilizando imagens de satélite, Lessa apontou as áreas onde seriam criados os loteamentos clandestinos. Mas os policiais não encontraram provas concretas de planejamento para ocupar a área.

A delação também mencionou a participação do delegado Rivaldo Barbosa. Em 2017, um ano antes do crime, ele teria sido pago para proteger os investigados. Foi Rivaldo quem indicou o delegado Giniton Lages para cuidar do caso. Segundo a investigação, Rivaldo e Giniton só prenderam os executores para aliviar a pressão da sociedade civil e da mídia.

Marcelo Freixo e Marielle Franco | Reprodução
Marcelo Freixo e Marielle Franco | Reprodução

Freixo era alvo

Lessa revelou ainda que, antes de Marielle, os mandantes do crime tinham outro alvo: o então deputado estadual Marcelo Freixo (na época, também do PSOL-RJ). "O que mais me assusta não é a sua violência, mas a conivência de um Rio de Janeiro completamente dominado pelo crime organizado ao ponto desta pessoa poder ser um matador de aluguel, conhecido de todos e só virar réu depois do caso Marielle", disse Freixo, hoje presidente da Embratur.

O delator continua detido no Presídio Federal de Mato Grosso do Sul. No início de maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma denúncia contra os irmãos Brazão e o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa. Eles estão presos desde 24 de março.

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