Alvo de EUA e PF era doleiro e importador ilegal de alho
Victor Shimada é acusado pelos Estados Unidos de relação com o PCC; PF vê múltiplos crimes sem ligação com facção
Cézar Feitoza, Fabio Diamante, Robinson Cerantula
03/07/2026, 22:46 • Atualizado em 03/07/2026, 22:46
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Empresário Victor Shimada, ligado ao caso VaideBet | Foto: Reprodução
A Polícia Federal reuniu provas que levantam suspeitas de que Victor Shimada, alvo de sanções dos Estados Unidos, estava envolvido em esquemas diversos, como tráfico de drogas internacional e importação ilegal de alho argentino. As informações constam da decisão do juiz Paulo Cezar Duran que autorizou a Operação Exchange, realizada nesta sexta-feira (3). O documento foi obtido pelo SBT News.
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As principais provas contra Shimada foram encontradas pela Polícia Federal na análise do celular do investigado, apreendido em 2024.
Trocas de mensagens entre Victor Shimada e Diego Lameiro mostram negociações para a importação ilegal de alho argentino da cidade de Mendoza, na região de Cuyo.
"Irmoa (sic) manda tudo do alho auqi (sic)/ Os vídeo (sic)/ Tudo que tem de informação/ Por favor", escreveu Victor para Diego.
Como resposta, Diego enviou imagens da lavoura e dos alhos produzidos, informando que os bulbos tinham "calibre 5, 5+, 6 e possibilidade de algumas caixas de 7 e 8".
"A análise do conjunto das conversas [...] permite identificar, em tese, a prática do crime de descaminho ou contrabando, diante da introdução clandestina no território nacional de mercadoria sujeita a controle sanitário e tributário, sem o recolhimento dos tributos devidos e sem as licenças exigidas para importação de produtos agropecuários", diz o juiz na decisão.
Tráfico internacional
As mensagens e relatórios financeiros obtidos pela Polícia Federal também mostram que Victor Shimada atuava como doleiro e responsável pela lavagem de dinheiro de diversos grupos. Não há provas, porém, de que Shimada tenha atuado diretamente para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A atual fase do inquérito revela descompasso com a decisão do governo dos EUA de sancionar Shimada por vínculo com o PCC, classificado como organização terrorista internacional.
A Polícia Federal diz que Shimada tinha relação próxima com Ygor Fokin Saviolli, que foi detido nos Estados Unidos e é investigado por fornecer drogas em território americano.
A suspeita é que Shimada tenha atuado em favor do grupo criminoso nos Estados Unidos na "lavagem de capitais, por meio de subtração de valores, em um esquema complexo de lavagem de dinheiro por meio de criptoativos adquiridos no exterior".
As citações ao PCC, segundo a PF, estão limitadas a citações à atuação de Shimada como doleiro para um ex-integrante da facção criminosa paulista.
Alvo de EUA e PF era doleiro e importador ilegal de alhoVictor Shimada é acusado pelos Estados Unidos de relação com o PCC; PF vê múltiplos crimes sem ligação com facçãoCidades2026-07-03T22:46:22.983ZA Polícia Federal reuniu provas que levantam suspeitas de que Victor Shimada, alvo de sanções dos Estados Unidos, estava envolvido em esquemas diversos, como tráfico de drogas internacional e importação ilegal de alho argentino. As informações constam da decisão do juiz Paulo Cezar Duran que autorizou a Operação Exchange, realizada nesta sexta-feira (3). O documento foi obtido pelo SBT News. Shimada foi alvo de prisão preventiva, mas não foi encontrado pela PF e está foragido. As principais provas contra Shimada foram encontradas pela Polícia Federal na análise do celular do investigado, apreendido em 2024. Trocas de mensagens entre Victor Shimada e Diego Lameiro mostram negociações para a importação ilegal de alho argentino da cidade de Mendoza, na região de Cuyo. "Irmoa (sic) manda tudo do alho auqi (sic)/ Os vídeo (sic)/ Tudo que tem de informação/ Por favor", escreveu Victor para Diego. Como resposta, Diego enviou imagens da lavoura e dos alhos produzidos, informando que os bulbos tinham "calibre 5, 5+, 6 e possibilidade de algumas caixas de 7 e 8". "A análise do conjunto das conversas [...] permite identificar, em tese, a prática do crime de descaminho ou contrabando, diante da introdução clandestina no território nacional de mercadoria sujeita a controle sanitário e tributário, sem o recolhimento dos tributos devidos e sem as licenças exigidas para importação de produtos agropecuários", diz o juiz na decisão. Tráfico internacional As mensagens e relatórios financeiros obtidos pela Polícia Federal também mostram que Victor Shimada atuava como doleiro e responsável pela lavagem de dinheiro de diversos grupos. Não há provas, porém, de que Shimada tenha atuado diretamente para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A atual fase do inquérito revela descompasso com a decisão do governo dos EUA de sancionar Shimada por vínculo com o PCC, classificado como organização terrorista internacional. A Polícia Federal diz que Shimada tinha relação próxima com Ygor Fokin Saviolli, que foi detido nos Estados Unidos e é investigado por fornecer drogas em território americano. A suspeita é que Shimada tenha atuado em favor do grupo criminoso nos Estados Unidos na "lavagem de capitais, por meio de subtração de valores, em um esquema complexo de lavagem de dinheiro por meio de criptoativos adquiridos no exterior". As citações ao PCC, segundo a PF, estão limitadas a citações à atuação de Shimada como doleiro para um ex-integrante da facção criminosa paulista.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/alvo-de-eua-e-pf-era-doleiro-e-importador-ilegal-de-alho