Produção industrial desacelera e cria dúvidas no setor
Queda de 0,2% em maio interrompe sequência positiva do início do ano, mas setor ainda acumula alta em 2026
A
Artur Maldaner
03/07/2026, 22:49 • Atualizado em 03/07/2026, 22:49
compartilhar
indústria extrativista
Com queda de 0,2% em maio, a produção industrial do Brasil registrou desaceleração após um início de ano com resultados favoráveis, apontou o IBGE por meio de levantamento divulgado nesta sexta (3). Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a queda pode ser um alerta para possíveis mudanças no setor.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
De acordo com Macedo, a variação pode ser atribuída ao enfraquecimento das categorias dos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Também caiu a produção alimentícia (-1,3%), em especial da cana-de-açúcar, que teve safra prejudicada por fortes chuvas na região sudeste do país.
O economista explica que as três categorias econômicas mencionadas correspondem a cerca de 45% da atividade industrial do país, e, consequentemente, possuem maior peso nos levantamentos mensais.
“Nos próximos meses devemos ver se estamos entrando em uma fase com menos produção”, disse Macedo ao SBT News.
Em sua análise, a taxa de juros básica elevada, atualmente em 14,25%, pode desfavorecer o setor por meio do encarecimento do crédito. No entanto, a indústria também tem se beneficiado com a queda do desemprego, com taxa de 5,6% até maio.
Meses de alta
No primeiro quadrimestre de 2026, entre os meses de janeiro e abril, a produção industrial observou um crescimento acumulado de 1,7%, em comparação com o mesmo período de 2025. O aumento foi impulsionado pelos derivados de petróleo e biocombustíveis, que aumentou 0,64% no período, e da indústria extrativa, que aumentou 1,42%.
Levando o mês de maio em consideração, o recorte dos primeiros cinco meses observou crescimento acumulado de 1,4% na produção. No período, as categorias dos derivados de petróleo e biocombustíveis aumentaram em 0,67% e a indústria extrativa em 1,22% (em comparação com o mesmo período de 2025).
“Mesmo com a queda de maio, ainda temos um saldo positivo de um início de ano produtivo, em relação ao valor acumulado”, explicou Macedo.
O pesquisador explica que, anteriormente, o aumento na produção das categorias esteve relacionada a um “aproveitamento doméstico”, buscando diminuir a dependência do petróleo do mercado internacional, que passou por aumento de preços e dificuldades de distribuição em meio a conflitos no Oriente Médio.
Já em relação à queda do mês de maio, Macedo aponta para um possível processo de “freio de arrumação” do setor industrial.
Produção industrial desacelera e cria dúvidas no setorQueda de 0,2% em maio interrompe sequência positiva do início do ano, mas setor ainda acumula alta em 2026Economia2026-07-03T22:49:53.962ZCom queda de 0,2% em maio, a produção industrial do Brasil registrou desaceleração após um início de ano com resultados favoráveis, apontou o IBGE por meio de levantamento divulgado nesta sexta (3). Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a queda pode ser um alerta para possíveis mudanças no setor. De acordo com Macedo, a variação pode ser atribuída ao enfraquecimento das categorias dos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Também caiu a produção alimentícia (-1,3%), em especial da cana-de-açúcar, que teve safra prejudicada por fortes chuvas na região sudeste do país. O economista explica que as três categorias econômicas mencionadas correspondem a cerca de 45% da atividade industrial do país, e, consequentemente, possuem maior peso nos levantamentos mensais. “Nos próximos meses devemos ver se estamos entrando em uma fase com menos produção”, disse Macedo ao SBT News. Em sua análise, a taxa de juros básica elevada, atualmente em 14,25%, pode desfavorecer o setor por meio do encarecimento do crédito. No entanto, a indústria também tem se beneficiado com a queda do desemprego, com taxa de 5,6% até maio. Meses de alta No primeiro quadrimestre de 2026, entre os meses de janeiro e abril, a produção industrial observou um crescimento acumulado de 1,7%, em comparação com o mesmo período de 2025. O aumento foi impulsionado pelos derivados de petróleo e biocombustíveis, que aumentou 0,64% no período, e da indústria extrativa, que aumentou 1,42%. Levando o mês de maio em consideração, o recorte dos primeiros cinco meses observou crescimento acumulado de 1,4% na produção. No período, as categorias dos derivados de petróleo e biocombustíveis aumentaram em 0,67% e a indústria extrativa em 1,22% (em comparação com o mesmo período de 2025). “Mesmo com a queda de maio, ainda temos um saldo positivo de um início de ano produtivo, em relação ao valor acumulado”, explicou Macedo. O pesquisador explica que, anteriormente, o aumento na produção das categorias esteve relacionada a um “aproveitamento doméstico”, buscando diminuir a dependência do petróleo do mercado internacional, que passou por aumento de preços e dificuldades de distribuição em meio a conflitos no Oriente Médio. Já em relação à queda do mês de maio, Macedo aponta para um possível processo de “freio de arrumação” do setor industrial. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/producao-industrial-desacelera-e-cria-duvidas-no-setor