Processos de auditoria ou sindicância não apontam culpa de Campos Neto no caso Master, diz Galípolo
Em depoimento à CPI do Crime Organizado, presidente do BC apresentou histórico de atuação da autarquia na liquidação do banco de Vorcaro
Felipe Moraes
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que processos de auditoria interna ou de sindicância não apontaram "qualquer culpa" do antecessor dele no cargo, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master, liquidado pela autarquia em novembro de 2025 e alvo de inquérito por suspeita de fraudes financeiras bilionárias.
A fala se deu em resposta a um questionamento do senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento de convite a Galípolo à Comissão Parlamentar de Inquérito, sobre se houve "culpa" de Campos Neto ou se ex-chefe do BC foi "leniente" no caso Master. "Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa de Roberto Campos", reforçou.
Campos Neto havia sido convocado para depor à CPI, mas faltou novamente. Em oitiva de quase duas horas, Galípolo apresentou a parlamentares o histórico da atuação do BC, sob sua gestão, no processo que levou à liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro, em 18 de novembro passado.
Galípolo contou que o BC negou, em fevereiro de 2019, autorização para transferir o então Banco Máxima, depois rebatizado Master, para controle de Vorcaro. À época, a autarquia tinha como presidente Ilan Goldfajn, indicado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).
"Origem dos recursos que tinham sido apresentados não estava clara", comentou Galípolo. Meses depois, em outubro de 2019, o BC autorizou transferência, já sob gestão de Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Entendimento da área técnica foi que apresentou outra origem de recursos", explicou o atual chefe do Banco Central.
Galípolo defende cumprimento "de todo o rito" para evitar questionamentos contra ações do BC
Em outro momento da sessão, o presidente da CPI do Crime, senador Fabiano Contarato (PT-ES), perguntou a Galípolo se a liquidação do Master pelo BC poderia ter sido realizada antes, sob a presidência de Campos Neto.
"Cheguei [à presidência do BC] em janeiro de 2025 e, ainda assim, tivemos de cumprir todos esses ritos justamente pra que a gente tivesse bem calçado", argumentou Galípolo, sobre todo o conjunto de ações tomadas pelo BC na gestão dele, detalhadas anteriormente durante depoimento.
"Ainda em meados de 2025, existia na opinião pública e um debate que a rejeição da compra [do Master] pelo BRB não deveria ter ocorrido e ainda estou hoje respondendo a processos de órgãos de controle se liquidação não foi feita de maneira precipitada", explicou.
"Existe essa dificuldade que é efetivamente cumprir todo o rito e passar por todo o rito, pra que você esteja devidamente protegido, pra que amanhã não se torne subsídio pra quem quer juridicamente algum tipo de indenização. Eu acho que em nenhum momento as defesas de bancos que foram liquidados querem efetivamente a reversão [da liquidação]. Eles mesmo sabem que o banco, do ponto de vista da liquidez, está inviável. O que se quer sempre é criar algum tipo de chicane pra conseguir indenização", acrescentou.
Em novo questionamento, Contarato mencionou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que apontou que Campos Neto teria atuado pelo menos duas vezes "para evitar intervenção ou liquidação do Master em 2024". Galípolo disse desconhecer esse fato.
"A sindicância e a investigação não encontraram nada nesse sentido", respondeu.









