Política

Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia, diz Lula sobre Moraes

Presidente diz que direita vai usar caso Master e envolvimento do STF na campanha eleitoral

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Ighor Nóbrega
08/04/2026, 15:08 • Atualizado em 08/04/2026, 17:00
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quarta-feira (8) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não pode "jogar fora a biografia" que construiu no julgamento do 8 de janeiro por causa do caso do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Segundo o petista, a suspeita de fraudes financeiras bilionárias será usada pela oposição nas eleições presidenciais.

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"Você [Moraes] construiu uma biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do [dono do Master, Daniel] Vorcaro jogue fora a tua biografia. Todo mundo tem que ter clareza que a extrema direita vai utilizar o caso do Banco Master, envolvimento com a Suprema Corte, na campanha. Vão fazer pedindo voto", comentou Lula em entrevista ao ICL Notícias.

O chefe do Executivo afirmou que o envolvimento de ministros do Supremo com o caso Master "prejudica a imagem" da instância máxima do Poder Judiciário. A menção a Moraes se dá pelas supostas viagens do magistrado em aviões de empresas de Vorcaro e pelo contrato entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia da sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Para Lula, é importante identificar os envolvidos no esquema de fraudes do Master, mas é preciso ter cuidado com a eventual colaboração premiada de Vorcaro pelo risco de uma delação "combinada".

Lula defendeu uma "punição exemplar" para a classe política ligada ao esquema chefiado pelo ex-banqueiro, preso em Brasília. "Se tiver governador, prefeito, deputado, senador, ou presidente da República envolvido, tem que pagar o preço", afirmou.

Ainda sobre a proteção à imagem do STF, o presidente disse que é preciso criar novas exigências para o cargo de ministro do Supremo. Segundo o petista, essa é a posição mais importante do país e não pode ser usada para enriquecimento próprio.

"Se quer ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte. Tem que ser uma opção. Com salário de presidente, deputado, senador, ministro, se alguém ficou rico durante o mandato, é porque precisou de outras coisas", declarou.

Lula defendeu que eventuais mudanças na Corte não devem vir do código de ética proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin, mas sim a partir de alterações na Constituição Federal. Ele propôs a participação de especialistas para criar os critérios de ascensão ao cargo e citou a possibilidade de estabelecer mandatos para as cadeiras do STF.

"As pessoas têm que fazer uma opção. Quando vai à Suprema Corte, tem que ter um compromisso quase religioso. Ele não está lá pra ganhar dinheiro, mas para defender a Constituição e a democracia. [...] Vai ter mandato? De quanto tempo? Eu indico as pessoas, elas passam por um crivo no Senado, mas depois elas são donas do mandato", afirmou.

Defesa, segurança pública, Trump e críticas a Caiado por acordo sobre terras raras

Lula reiterou a intenção de desmembrar o Ministério da Justiça e recriar uma pasta somente para segurança pública. O petista disse que a divisão é necessária para definir o papel da União no setor que, segundo ele, é hoje controlado pelos estados.

"Para o governo federal entrar na segurança pública, temos que ter uma lei que define nosso papel. Quando aprovarem a PEC [da segurança pública], na semana seguinte vai ser criado o Ministério da Segurança Pública, inclusive com o orçamento. Se for necessário, um orçamento novo para a gente não ficar brincando de fazer segurança. A sociedade precisa que o governo federal entre em ação", declarou Lula.

O presidente disse que pretende discutir o investimento na indústria de defesa, seja na proteção de fronteiras, na mineração de terras raras e na exploração de petróleo. O chefe do Executivo federal disse que um país do tamanho do Brasil não pode ter dificuldade em defender seu território no caso de invasão de uma nação estrangeira.

"Não podemos ficar desprovidos de segurança. Um dia vão invadir a gente", afirmou Lula em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder brasileiro chamou o republicano de "imperador" e voltou a criticar a guerra no Irã.

De olho nas eleições, também sobraram críticas a Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto. Lula disse que o acordo assinado pelo então governador do Goiás com empresas dos EUA para a exploração de minerais raros é uma "vergonha" e afirmou que o tratado atravessa competências da União. "Essa gente vai vender o nosso Brasil e a gente não pode permitir", completou.

Sem citar nomes, o petista ainda afirmou que não vai permitir que "os fascistas voltem a governar o país". Lula é pré-candidato à Presidência e deve concorrer ao seu quarto mandato no Palácio do Planalto. Terá como principal adversário no pleito o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

Fim da escala 6x1

O mandatário afirmou que o governo vai enviar nesta semana o projeto de lei para o fim da escala de trabalho 6x1. Ele afirmou que se reunirá com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nos próximos dias para tratar do tema e disse ter certeza que o PL será aprovado na Casa.

"É importante que a gente deixe uma brecha para categorias diferenciadas. Não pode ser uma coisa rígida, tem que haver negociação. As pessoas precisam de mais descanso e lazer. Precisamos reeducar o cara a voltar para casa e ajudar a mulher nos afazeres", declarou Lula.

Em entrevista ao SBT News, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a proposta será encaminhada com pedido de urgência, o que pode acelerar a tramitação no Legislativo. Pela regra, o texto precisa ser analisado em até 45 dias na Câmara e mais 45 no Senado.

A mudança de estratégia ocorre diante da lentidão na tramitação do projeto atual, que está em formato de proposta de emenda à constituição (PEC).

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