O governo de Goiás assinou um acordo, nesta quarta-feira (18), com os Estados Unidos para explorar as chamadas “terras raras”, nome dado a regiões com elementos químicos essenciais para a indústria.
Não se vê a olho nu, mas em terras brasileiras está a segunda maior reserva do planeta de algo que países desejam e precisam como nunca. Estamos falando de minerais críticos, hoje sinônimos de progresso. Lítio, cobalto, níquel e terras raras são exemplos, usados na fabricação de semicondutores, baterias de carros elétricos e painéis solares.
No Brasil, um dos estados com maior concentração desses minerais é Goiás. Isso despertou o interesse do governo americano, que nesta quarta-feira assinou um acordo de cooperação com o governador Ronaldo Caiado, com investimentos de 575 milhões de dólares.
“Extremamente importante para que Goiás não seja apenas uma exportadora de matéria-prima, para ser amanhã separado fora do Brasil, desenvolvendo as tecnologias que hoje dependem desses minerais fora daqui. Esse acordo é exatamente a identificação de áreas que têm terras raras”, afirmou Caiado.
O acordo saiu no mesmo dia em que representantes do governo Donald Trump e empresários americanos e brasileiros participaram de um fórum sobre minerais críticos, em São Paulo.
Para uma empresa explorar minérios no Brasil, ela precisa de uma licença concedida pela Agência Nacional de Mineração, já que o solo e as riquezas nele contidas são de propriedade da União. Por isso, chamou atenção a ausência, no fórum, de representantes do governo federal, o que pode estar relacionado com um fato sem ligação com a atividade econômica.
A revogação do visto de entrada no Brasil de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, também repercutiu. Ele informou que participaria do fórum de minerais críticos, o que não era verdade, segundo os organizadores. O Itamaraty considerou que houve fraude ou falta de sinceridade no motivo para entrada no país e retirou o visto.
Paralelamente, Darren também solicitou autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido havia sido autorizado e depois negado pelo ministro Alexandre de Moraes.
No encontro desta quarta-feira, ficou claro o interesse americano nas reservas brasileiras. Uma maneira de se libertar da dependência da China, que hoje detém a tecnologia de separação desses materiais.
De qualquer forma, nada poderá ser feito sem o aval da União, que dá o licenciamento para a atividade.
O diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, afirmou: “o governo federal e os governos estaduais vão precisar trabalhar em conjunto, porque são competências complementares. O governo federal fala sobre a mineração. Os governos locais, estaduais, vão ter que fazer o licenciamento ambiental. Mas aqui o grande desafio que a gente precisa é inserir o mercado global nesses produtos, e esse mercado ainda não existe”.
Perguntado sobre o não comparecimento à assinatura do acordo, o Ministério de Minas e Energia não respondeu.
Goiás assina acordo com os Estados Unidos para exploração de terras rarasParceria prevê investimentos de 575 milhões de dólares e amplia interesse internacional nos minerais críticos brasileirosEconomia2026-03-18T23:12:31.434ZO governo de Goiás assinou um acordo, nesta quarta-feira (18), com os Estados Unidos para explorar as chamadas “terras raras”, nome dado a regiões com elementos químicos essenciais para a indústria. Não se vê a olho nu, mas em terras brasileiras está a segunda maior reserva do planeta de algo que países desejam e precisam como nunca. Estamos falando de minerais críticos, hoje sinônimos de progresso. Lítio, cobalto, níquel e terras raras são exemplos, usados na fabricação de semicondutores, baterias de carros elétricos e painéis solares. No Brasil, um dos estados com maior concentração desses minerais é Goiás. Isso despertou o interesse do governo americano, que nesta quarta-feira assinou um acordo de cooperação com o governador Ronaldo Caiado, com investimentos de 575 milhões de dólares. “Extremamente importante para que Goiás não seja apenas uma exportadora de matéria-prima, para ser amanhã separado fora do Brasil, desenvolvendo as tecnologias que hoje dependem desses minerais fora daqui. Esse acordo é exatamente a identificação de áreas que têm terras raras”, afirmou Caiado. O acordo saiu no mesmo dia em que representantes do governo Donald Trump e empresários americanos e brasileiros participaram de um fórum sobre minerais críticos, em São Paulo. Para uma empresa explorar minérios no Brasil, ela precisa de uma licença concedida pela Agência Nacional de Mineração, já que o solo e as riquezas nele contidas são de propriedade da União. Por isso, chamou atenção a ausência, no fórum, de representantes do governo federal, o que pode estar relacionado com um fato sem ligação com a atividade econômica. A revogação do visto de entrada no Brasil de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, também repercutiu. Ele informou que participaria do fórum de minerais críticos, o que não era verdade, segundo os organizadores. O Itamaraty considerou que houve fraude ou falta de sinceridade no motivo para entrada no país e retirou o visto. Paralelamente, Darren também solicitou autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido havia sido autorizado e depois negado pelo ministro Alexandre de Moraes. No encontro desta quarta-feira, ficou claro o interesse americano nas reservas brasileiras. Uma maneira de se libertar da dependência da China, que hoje detém a tecnologia de separação desses materiais. De qualquer forma, nada poderá ser feito sem o aval da União, que dá o licenciamento para a atividade. O diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, afirmou: “o governo federal e os governos estaduais vão precisar trabalhar em conjunto, porque são competências complementares. O governo federal fala sobre a mineração. Os governos locais, estaduais, vão ter que fazer o licenciamento ambiental. Mas aqui o grande desafio que a gente precisa é inserir o mercado global nesses produtos, e esse mercado ainda não existe”. Perguntado sobre o não comparecimento à assinatura do acordo, o Ministério de Minas e Energia não respondeu.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/goias-assina-acordo-com-os-estados-unidos-para-exploracao-de-terras-raras
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