Médicos dizem que Bolsonaro seguirá com risco de broncoaspiração no futuro
Equipe afirmou que ambiente e cuidados, como alimentação adequada, podem reduzir novas complicações; ex-presidente segue na UTI sem previsão de alta



Hariane Bittencourt
Jessica Cardoso
Os médicos de Jair Bolsonaro (PL) afirmaram nesta sexta-feira (13) que o ex-presidente continuará com risco de novos episódios de broncoaspiração no futuro, condição que pode levar a quadros de pneumonia.
Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral, após passar mal durante a madrugada com febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.
A jornalistas, a equipe médica informou que a situação dele está estável, melhor do que quando chegou ao hospital, mas “longe de ser um quadro totalmente controlado”. Bolsonaro segue na UTI sem previsão de alta.
Segundo o cardiologista Leandro Echenique, este é o terceiro episódio de pneumonia associado à broncoaspiração enfrentado por Bolsonaro, e o risco de novos quadros deve permanecer.
O médico afirmou que o ex-presidente possui alterações anatômicas no abdômen que favorecem episódios de refluxo, vômito e a aspiração de conteúdo gástrico para as vias respiratórias.
“Claro que as medidas preventivas são tomadas. Algumas com maior dificuldade pelo ambiente em que ele se encontra. [...] ele tem uma alteração no abdômen que nunca vai retroceder. Isso o predispõe a refluxos, a vômitos e à broncoaspiração. E na idade que ele está, isso é mais comum. É uma complicação que é mais comum de ocorrer. Há diversas alterações na estrutura da orofaringe que também favorecem”, afirmou.
Echenique também disse que o histórico de saúde de Bolsonaro era considerado excelente antes do atentado a faca em 2018, mas que houve deterioração gradual desde então.
Segundo o médico, o ex-presidente já passou por oito cirurgias e enfrenta internações mais prolongadas. O cardiologista acrescentou que a ida rápida ao hospital foi determinante para o atendimento e a melhora do quadro.
O cardiologista Brasil Caiado, que faz parte da equipe, também disse que chamou a atenção dos profissionais a rapidez com que o quadro infeccioso se instalou.
“No caso específico dele, foi assustadora a velocidade de instalação dessa infecção”, afirmou, acrescentando que a principal preocupação agora é evitar novas complicações.
Exames indicaram que a broncopneumonia bacteriana bilateral atingiu com maior intensidade o pulmão esquerdo do ex-presidente. Os médicos também avaliaram que o episódio atual é mais grave do que os dois anteriores enfrentados por Bolsonaro.
Prisão de Bolsonaro
Segundo Caiado, o ambiente em que o ex-presidente se encontra pode influenciar na prevenção de novos episódios. Ele afirmou que fatores como alimentação controlada e acompanhamento mais próximo de profissionais de saúde ajudam a reduzir o risco.
“Determinados ambientes são mais negativos para ele do ponto de vista do desencadeamento de doenças. [...] em casa você consegue ter uma alimentação muito mais adequada. Sabemos que a alimentação participa diretamente do processo de refluxo, que é um fator desencadeante da broncoaspiração”, disse.
Após a internação desta sexta-feira (13), a defesa de Bolsonaro voltou a insistir no pedido de prisão domiciliar.
Na decisão, Moraes afirmou que a penitenciária atende “integralmente” às necessidades médicas de Bolsonaro e permite o recebimento de “numerosas visitas de familiares, amigos e aliados políticos”.
Michelle Bolsonaro
Em publicação no story do Instagram, a ex-primeira-dama afirmou que Bolsonaro ainda estava "indisposto", mas conseguiu se alimentar um pouco.










