Moraes volta a negar domiciliar para Bolsonaro e cita visitas políticas como sinal de boa saúde
Ministro considerou que estrutura da cela e frequentes contatos com aliados demonstram que ele está em condições de permanecer preso no local


José Matheus Santos
Victor Schneider
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a negar um pedido para transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Papudinha para a prisão domiciliar nesta segunda-feira (2).
Na decisão, o ministro frisa que a penitenciária atende "integralmente" às necessidades médicas de Bolsonaro e permite o recebimento de "numerosas visitas de familiares, amigos, parentes e aliados políticos".
"Da relação de visitas informadas pela instituição custodiante, podemos verificar que o apenado tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, comprovando a intensa atividade política, o que corrobora os atestados médicos no sentido de sua boa condição de saúde física e mental", diz Moraes.
Registros de consultas médicas elencados no despacho mostram que, de 15 de janeiro – data em que foi transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o local – até sexta-feira (27), o ex-presidente:
- Recebeu atendimento médico "permanente e diário" em 144 ocasiões;
- Recebeu visitas de 36 aliados previamente autorizadas, além de visitas permanentes sem necessidade de permissão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e dos filhos;
- Realizou 13 sessões de fisioterapia;
- Realizou 33 caminhadas, registradas como atividade física;
- Fez 29 consultas com advogados;
- Recebeu serviços de capelania com pastores e padres aliados em 4 ocasiões.
No dia 20, a PGR já havia se manifestado contra a concessão de domiciliar sob o mesmo argumento de que o laudo pericial da saúde de Bolsonaro demonstrava que as dependências do 19º Batalhão de Polícia Militar (PMDF), a Papudinha, detinham condições suficientes para prosseguir com o tratamento.
A perícia médica divulgada pela Polícia Federal no início de fevereiro informou que Bolsonaro demonstrava plenas condições físicas e neurológicas, mas evidenciava "comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento".
O ex-presidente tem feito uso de um aparelho para tratar apneia do sono e de um medicamento para suprimir a produção de ácido gástrico no estômago, dada as queixas de refluxo e soluço que relata em decorrências de sucessivas operações que fez no abdômen após ser esfaqueado na campanha de 2018.









