Cidades

Estudante morto por PM em SP completaria 23 anos; caso expõe letalidade policial

Marco Aurélio Cárdenas Acosta foi morto com tiro à queima-roupa em 2024; relatório aponta alta nas mortes em ações policiais no Brasil

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Flavia Travassos
04/02/2026, 22:36 • Atualizado em 04/02/2026, 22:36
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Marco Aurélio Cárdenas Acosta, com 22 anos na época, foi morto por PM's durante abordagem | Reprodução

Marco Aurélio Cárdenas Acosta, com 22 anos na época, foi morto por PM's durante abordagem | Reprodução

Se estivesse vivo, Marco Aurélio Cárdenas Acosta teria completado 23 anos. Já se passaram 440 dias desde a morte do estudante de medicina, baleado por um policial militar à queima-roupa, em novembro de 2024, na São Paulo. A ação foi registrada pelas câmeras corporais da Polícia Militar.

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Segundo as investigações, Marco Aurélio havia acabado de concluir o 5º ano de medicina quando se envolveu em uma abordagem policial na zona sul de São Paulo. Ele teria dado um tapa no retrovisor da viatura e corrido para o hotel onde estava com a namorada. Em seguida, foi perseguido pelos policiais.

As câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo gravaram a ação. Para a família, o conteúdo comprova abuso na abordagem. “Encurralaram, chutaram e executaram”, afirmou Júlio Navarro, pai do estudante.

Violência policial afeta a população

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (4) pela Human Rights Watch aponta que abusos cometidos por policiais reduzem a confiança da população nas autoridades e diminuem a disposição para denunciar crimes.

De acordo com o levantamento, 6.519 pessoas morreram em ações policiais no Brasil em 2024, o equivalente a 18 mortes por dia. O número representa um aumento superior a 4% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 6.238 mortes.

Os estados com maior número de mortes em intervenções policiais são Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Paraná, Goiás e Sergipe.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pessoas negras têm três vezes mais risco de se tornarem vítimas em confrontos com policiais. O relatório também aponta indícios de ligação de agentes com o crime organizado.

“A letalidade policial é um problema crônico no Brasil. Não enfraquece o crime organizado e ainda coloca policiais e civis em risco”, afirmou Cesar Muñoz, diretor da Human Rights Watch.

O relatório destaca que, apesar da queda nos homicídios, a violência segue como uma das principais preocupações dos brasileiros.

“Temos uma polícia que mata muito e morre muito. Isso não aumenta a sensação de segurança”, completa Muñoz.

Relembre o caso

Um estudante de medicina morreu com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem da Polícia Militar (PM), na madrugada do dia 20 de novembro de 2024, em um hotel na zona sul de São Paulo.

Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, era aluno da faculdade Anhembi Morumbi. No momento da abordagem, ele estaria alterado, agressivo e teria resistido à ação dos policiais Yuri Martins de Almeida e Guilherme Augusto Macedo, segundo o boletim de ocorrência.

O boletim diz que Marco Aurélio tentou pegar a arma de um dos soldados. Uma câmera de segurança gravou o estudante entrando correndo na escadaria do local, sendo seguido pelos militares.

Um dos policiais puxou o estudante pelo braço e com a outra mão apontou a arma para o jovem. O segundo militar tentou chutar Marco, que se defendeu e o derrubou. Neste momento, ele sofreu o disparo de arma de fogo pelo outro PM, de acordo com as imagens.

A perícia compareceu ao local do crime e o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial, que deve ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Guilherme e Bruno foram acusados de homicídio e a arma usada na abordagem foi apreendida. Apesar dos três pedidos de prisão preventiva da família da vítima, bem como de afastamento das funções policiais, eles respondem ao processo em liberdade.

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