Cidades

Acusado pela morte de advogada em BH será julgado pelo Tribunal do Júri

Carolina estava sozinha em seu apartamento, com o então namorado, também advogado, quando teria sido jogada pela janela do oitavo andar

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SBT News, com informações do Estado de Minas
20/10/2025, 20:40 • Atualizado em 20/10/2025, 20:40
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Carolina estava em seu apartamento com o então namorado e teria sido jogada pela janela | Reprodução/redes sociais

Carolina estava em seu apartamento com o então namorado e teria sido jogada pela janela | Reprodução/redes sociais

O advogado Raul Rodrigues Costa Lages, acusado de matar a namorada e também advogada, Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, em junho de 2022, será julgado pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1° Tribunal do Júri da capital.

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Na sentença, a juíza acolheu a denúncia do Ministério Público para que o advogado responda pelo feminicídio qualificado da ex-companheira. A magistrada, porém, concedeu ao acusado o direito de recorrer da decisão em liberdade.

Na época, a mulher, aos 40 anos, caiu do oitavo andar do prédio em que morava, no Bairro São Bento, região centro-sul de Belo Horizonte. O suspeito virou réu pelo crime em 25 de setembro.

Materialidade dos fatos

Na sentença, a juíza afirma que a materialidade dos fatos está demonstrada pelo boletim de ocorrência e por diversos laudos. “Embora ausentes testemunhas presenciais do exato momento da queda da vítima, o conjunto probatório produzido em juízo revela indícios de autoria em desfavor de Raul Rodrigues Costa Lages - única pessoa presente no local e horário dos fatos - o que, nesta fase sumária, mostra-se suficiente à formação do juízo de admissibilidade da acusação”, afirma a magistrada em um trecho da decisão.

A juíza ressalta ainda as testemunhas que foram ouvidas e relataram discussão entre o casal e correria no apartamento da advogada pouco antes da queda. “Somam-se a esses relatos, diversas provas documentais e técnicas que reforçam a tese de violência doméstica”, salienta.

Denúncia

Carol, como era conhecida, estava com Raul na noite do crime. Seus dois filhos, de um outro relacionamento, não estavam no local. Na época, a morte da mulher foi registrada como suicídio, mas, conforme inquérito concluído pela Polícia Civil de Minas Gerais, há provas que apontam que se tratou de um feminicídio.

Conforme denúncia enviada pelo Ministério Público de Minas Gerais à Justiça, Raul, que responde ao processo em liberdade, “agindo com dolo de matar”, agrediu a companheira durante uma discussão. O então casal, ainda segundo os autos, mantinha um relacionamento “conturbado”, sendo que o suspeito já teria agredido a mulher de maneira física e verbal.

Tela cortada

As investigações mostraram que, na noite do crime, o denunciado lançou Carol ao chão, situação que a deixou desacordada e a “impossibilitou de qualquer meio de defesa”. Ao perceber que a mulher havia desmaiado, o suspeito teria limpado cômodos da casa e colocado roupas de cama na máquina de lavar.

Além disso, conforme o documento do MP, Raul teria cortado a tela de proteção da janela da varanda da sala e lançado Carolina do oitavo andar, causando sua morte. Um dos vizinhos da mulher ouviu, por volta das 23h, um estrondo e ao olhar para baixo viu o corpo da vítima na área de lazer do condomínio.

Para o promotor de Justiça Fabiano Mendes Cardoso, o crime foi cometido por motivo torpe, tendo em vista o sentido de posse do denunciado em relação à Carol. Em sua tese, Cardoso argumenta que foram apresentadas provas do “inconformismo” de Raul com a possibilidade de fim do relacionamento com a vítima.

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