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Vitória nas eleições legislativas dá sobrevida a Milei, mas minoria ainda pode travar medidas econômicas

Presidente argentino fortalece posição política após resultado positivo nas urnas, mas ainda enfrenta desafios para aprovar medidas liberais no Parlamento

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Murillo Otavio
27/10/2025, 15:31 • Atualizado em 27/10/2025, 16:35
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Presidente da Argentina, Javier Milei | Reprodução/Instagram

Presidente da Argentina, Javier Milei | Reprodução/Instagram

O governo de Javier Milei obteve um resultado considerado positivo nas eleições legislativas realizadas no domingo (26). Embora o desempenho represente uma sobrevida política, as medidas econômicas liberais propostas por ele ainda devem enfrentar resistência no Congresso e no Senado.

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📋 As eleições renovaram 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 das 72 do Senado. O partido de Milei, A Liberdade Avança, conquistou 64 cadeiras na Câmara e 13 no Senado. Já o Força Pátria, ligado ao peronismo, obteve 31 assentos na Câmara e 6 no Senado. Somados aos partidos aliados, os peronistas alcançam 44 vagas na Câmara e 7 no Senado. Antes da votação, o movimento de oposição detinha a maior minoria nas duas casas, dificultando o avanço das pautas de Milei.

Para Leo Braga, professor de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Milei sai fortalecido do pleito.

"Aumentam as chances de o governo aprovar projetos e seguir com sua linha liberal. Além disso, cresce a confiança do mercado financeiro na eficiência das medidas econômicas", avalia o especialista.

Outro ponto importante foi o desempenho em Buenos Aires. O partido de Milei liderou na maior parte das províncias argentinas, inclusive na capital, onde o governista havia amargurado derrota na última eleição legislativa. Ainda assim, a taxa de participação foi de apenas 67,9% dos eleitores, a menor desde 1983, quando a democracia foi restabelecida na Argentina.

Segundo Maria Laura Tagina, cientista política da Universidade Nacional de San Martín, ouvida pela agência Reuters, o resultado reflete o cansaço da população com os escândalos de corrupção e políticas de austeridade dos governos anteriores.

"Curiosamente, o escândalo envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei, não abalou sua base política", lembra o professor Leo Braga, que reforça a ideia de que os argentinos continuam apostando em políticas que rompam governos anteriores.

A imprensa argentina considerou surpreendente o desempenho do partido do presidente. O jornal argentino La Nación classificou o resultado como "impactante", com uma "vitória esmagadora em todo o país".

A vitória de Milei amplia a pressão sobre o peronismo, enfraquecido desde o fracasso do governo de Alberto Fernández (2019–2023) e os escândalos envolvendo Cristina Kirchner, atualmente em prisão domiciliar.

Medidas econômicas

Desde o início do mandato, Milei tem defendido uma agenda liberal baseada na dolarização da economia, no fim do Banco Central e na redução drástica dos gastos públicos.

Embora a inflação tenha recuado, o custo social das medidas é alto: o país enfrenta recessão, desemprego e cortes de subsídios essenciais.

Mesmo com a vitória nas eleições legislativas, o governo de Milei segue sem maioria no Congresso. Milei, que chegou ao poder com um discurso antipolítico, agora precisará negociar com outros partidos para viabilizar sua agenda.

O professor Leo Braga explica que, a partir de 10 de dezembro, a coalizão governista terá uma base suficiente para evitar a derrubada de vetos presidenciais e mais margem para aprovar reformas e cortes de gastos.

Na nova composição, o partido de Milei terá 36% das cadeiras na Câmara. Com o apoio de legendas de centro e centro-direita, pode alcançar 48%, configurando maioria simples em algumas votações. No Senado, o avanço foi de 8% para 26%, enquanto a oposição peronista caiu para 36%.

"Mesmo sem maioria absoluta, Milei pode conquistar maioria simples nas duas casas. O poder de barganha do governo cresceu muito, o que aumenta as chances de aprovação de reformas econômicas", explica Leo Braga.

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Discurso de vitória e apoio dos EUA

Em seu discurso de comemoração, o presidente argentino adotou um tom conciliador e defendeu a formação de parcerias no Congresso.

"Há dezenas de deputados e senadores de outros partidos com quem podemos chegar a acordos básicos", afirmou. "O povo argentino decidiu deixar para trás cem anos de decadência e seguir pelo caminho da liberdade, do progresso e do crescimento. Hoje começa a construção da Argentina grande", completou.

Milei também agradeceu aos ministros Patricia Bullrich (Segurança), Luis Petri (Defesa), Luis Caputo (Economia) e ao chefe da Casa Civil, Guillermo Francos, além de outros integrantes de seu gabinete.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que Milei contou com "muita ajuda" de Washington para garantir a vitória de seu partido nas eleições.

"Ele teve muita ajuda nossa. Eu o apoiei, uma recomendação muito forte", declarou Trump, atribuindo parte do sucesso ao secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, responsável por supervisionar a assistência financeira ao governo argentino.

O empréstimo norte-americano será concedido por meio de um swap cambial, um mecanismo de troca temporária de moedas entre países, utilizado para dar maior estabilidade à economia e reforçar as reservas internacionais, recursos mantidos em moeda estrangeira para conter oscilações do dólar e garantir pagamentos internacionais.

A iniciativa integra o plano do governo argentino para conter a inflação e promover um crescimento econômico sustentável. O acordo permitirá ampliar as reservas em dólar sem recorrer a empréstimos tradicionais. Após o prazo determinado, a Argentina devolverá a moeda norte-americana com os ajustes de juros ou câmbio correspondentes.

O anúncio ocorre em meio à forte desvalorização do peso e à fuga de capitais, fatores que agravam a crise econômica enfrentada pelo governo Milei.

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